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Dossiê de Linguística Popular/Folk linguistics

2021-02-15

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                                                                                            (Operários, Tarsila do Amaral, 1933).

Chamada para Porto das Letras V. 7. N. 4. (2021)

Dossiê

Linguística Popular/Folk linguistics

 

A rigor a Linguística popular/Folk linguistics designa todo o trabalho sobre linguagem, isto é, práticas linguísticas espontaneamente construídas pelos mais diversos atores sociais, que não estão necessariamente fundamentados em uma lógica de uma teoria da linguagem. N. Niedzielski e D. Preston propõem uma síntese e uma imagem do conteúdo da linguística popular norte-americana: “[The word folk] refers to those who are not trained professionals in the area under investigation [...] We definitely do not use folk to refer to rustic, ignorant, uneducated, backward, primitive, minority, isolated, marginalized, or lower status groups or individuals (2000, p. 08)”. Os autores sublinham que os saberes populares contribuem sobremaneira para a constituição dos saberes científicos: “Whether for the purely scientific purpose of recording it or for the social purposes of helping us better understand our attitudes to one another, we suggest that the study of [...] linguistically-oriented caricature is an important task (2000, p. 123)”. Lidia Becker, Sandra Herling, Holger Wochele (2019) compreendem a linguística popular como um domínio que couvre une large gamme des phénomènes décrits et interprétés sous cette étiquette; nous nous basons sur Antos (1995), qui considère le terme de « linguistique populaire » comme la désignation de réflexions métalinguistiques destinées à des non-spécialistes et très souvent exprimées par ces derniers. Si, par contre, ce sont des « spécialistes » qui énoncent ces réflexions, on pourrait parler de « linguistique officielle appliquée » (Stegu 2008).

No contexto brasileiro, até o presente momento todas as discussões sobre a língua (ensino, uso, pesquisa) têm colocado linguistas e não linguistas em lugares diametralmente opostos: detentores do saber científico sobre língua de um lado e detentores de saberes leigos sobre a língua de outro. Trata-se de uma verdadeira interincompreensão: cada um traduz o discurso do outro a partir do seu posicionamento discursivo. Cumpre destacar que a não fundamentação em uma teoria científica de linguagem, não invalida os trabalhos dos linguistas leigos, mesmo os de natureza mais prescritiva, que podem ser incorporados ao trabalho dos linguistas propriamente ditos. Entendemos com Marie-Anne Paveau (2008) que as abordagens científica e popular são anti-eliminativas. Com efeito, entendemos a linguística popular de maneira escalar e  não binária, isto é, não está em contradição com a linguística acadêmica, podendo, portanto, a primeira ser plenamente integrada a um estudo científico da linguagem. Como sabiamente afirma Paveau (2008): “os enunciados populares não são necessariamente crenças falsas a serem eliminadas da ciência. Constituem ao contrário saberes perceptivos, subjetivos e incompletos a serem integrados aos dados científicos da linguística”. Nesse sentido, cumpre destacar que o traço que distingue a Linguística popular/Folk linguistics de outras perspectivas teóricas que se debruçam sobre o objeto língua é justamente a possibilidade de compreender como e por que os discursos que dizem da língua afetam a própria língua, enquanto objeto de conhecimento. Quando nos referimos aos discursos que dizem de língua não estamos pensando somente nos discursos morais sobre a língua, os prescritivos, por exemplo, mas, sobretudo, à práticas descritivas, intervencionistas e militantes.

A recente publicação do Dossiê Linguística Popular/Folk Linguistics, organizado pelos pesquisadores Roberto Leiser Baronas e Maria Inês Pagliarini Cox, publicado com seis textos            na            Revista            Fórum                                Linguístico https://periodicos.ufsc.br/index.php/forum/issue/view/3003, a realização do I Seminário Internacional de Estudos em Linguística Popular – SIELiPop e I Instituto de Análise Caipira do Discurso – homenagem a Amadeu Amaral pelo centenário de publicação do livro O Dialeto Caipira https://sielipopufscar.wixsite.com/sielipop com apoio financeiro da CAPES e FAPESP, bem como a recente publicação do livro de Marie-Anne Paveu Linguística folk: uma introdução (https://www.letraria.net/linguistica-folk-uma-introducao/) demonstra, por um lado, que se trata de um campo que já nasce com muito viço e, por outro, oferecendo inúmeras possiblidades de pesquisa. Nesse sentido, propomos junto à Editoria da Revista Porto das Letras da UFT a publicação de um Dossiê em Linguística popular/Folk linguistics. Com a publicação desse Dossiê, inicialmente, objetivamos:

  1. Fortalecer a institucionalização do campo de estudos em Linguística popular/Folk linguistics em solo brasileiro, junto a uma respeitada Revista de Estudos da Linguagem no contexto brasileiro;
  2. Propor um diálogo efetivo com pesquisadores de outros países, notadamente França; EUA; Alemanha e Costa Rica (países em que a Linguística popular/Folk linguistics já está institucionalizada), publicando textos de pesquisadores/as desses quatro países;
  3. Possibilitar que pesquisadores brasileiros interessados em questões da Linguística popular/Folk linguistics possam submeter seus textos em Dossiê específico;
  4. Contribuir com o vanguardismo da Revista Porto das Letras da UFT no tocante à divulgação de campos emergentes no âmbito das Ciências da Linguagem.

 

Organizadores do Dossiê:

Roberto Leiser Baronas - UFSCar/UFMT/CNPq;

Tamires Cristina Bonani Conti - PG/FAPESP/UFSCar;

Lívia Maria Falconi Pires - PD-UFSCar/ UNICEP.

 

Cronograma:

Lançamento da chamada: 15 de fevereiro;

Submissão: 01 de março a 31 de maio de 2021;

Avaliação pelos pares: 01 de junho a 30 de julho de 2021;

Publicação: setembro de 2021.

 

Os autores de artigos devem utilizar o modelo disponível em Modelo de Artigo.

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Edição Atual

v. 7 n. 2 (2021): Discurso, doença e risco

Organização:

Atílio Butturi Junior (UFSC)

Jair Zandoná (UFSC)

Renata Severo (IFRS)

 

 

 

Publicado: 2021-04-10

EXPEDIENTE

EDITORIAL

Discurso, doença, risco

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A revista Porto das Letras é uma publicação trimestral do Programa de Pós-graduação em Letras da UFT do Campus de Porto Nacional. A revista tem o objetivo de divulgar artigos e resenhas inéditos da área de Literatura, Linguística e Ensino de Língua e Literatura. É voltada a pesquisadores mestres e doutores, discentes de pós-graduação e profissionais da área de Letras e Linguística e apresenta as seguintes seções: Dossiê Temático, Estudos Liguísticos, Estudos Literários, Seção Livre e Resenhas.

A Revista Porto das Letras obteve Qualis B1 na última avaliação da Capes (2017-2018).

 

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