Porto das Letras https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/portodasletras <p>A revista Porto das Letras é uma publicação trimestral do Programa de Pós-graduação em Letras da UFT do Campus de Porto Nacional. A revista tem o objetivo de divulgar artigos e resenhas inéditos da área de Literatura, Linguística e Ensino de Língua e Literatura. É voltada a pesquisadores mestres e doutores, discentes de pós-graduação e profissionais da área de Letras e Linguística e apresenta as seguintes seções: Dossiê Temático, Estudos Liguísticos, Estudos Literários, Seção Livre e Resenhas.</p> pt-BR Porto das Letras 2448-0819 <p>Os autores concordam com os termos da Declaração de Direito Autoral, que se aplicará a esta submissão caso seja publicada nesta revista (comentários ao editor podem ser incluídos a seguir).</p> Expediente https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/portodasletras/article/view/11980 Thiago Barbosa Soares Copyright (c) 2021 Porto das Letras 2021-04-08 2021-04-08 7 2 1 4 Discurso, Doença, Risco https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/portodasletras/article/view/11979 Atílio Butturi Junior Jair Zandoná Renata Trindade Severo Copyright (c) 2021 Porto das Letras 2021-04-08 2021-04-08 7 2 5 15 Discurso, doença e pandemia https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/portodasletras/article/view/11752 <p>André Mota é graduado em História e defendeu sua tese de&nbsp; doutorado, <em>Tropeços da medicina bandeirante, São Paulo, 1892-1920</em>, em 2001. Entre 2006-2008 recebeu uma bolsa de pós-doutoramento Fapesp, desenvolvendo seu projeto de pesquisa, <em>Mudanças corporativas e tecnológicas da medicina no Brasil: o caso paulista entre 1930-1950</em>, no Departamento de Medicina Preventiva, FMUSP. Em 2019, foi bolsista do Grupo Tordesilhas e a Fundação Carolina e professor visitante da Universidad Miguel Hernández de Elche (Espanha). É Professor Associado do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e coordenador do Museu Histórico da Faculdade de Medicina&nbsp; da USP. Tem se dedicado à história da medicina e da saúde pública e a seus discursos.</p> Atílio Butturi Junior Copyright (c) 2021 Porto das Letras 2021-04-09 2021-04-09 7 2 16 21 Biopolitica, necropolítica e racismo na gestão do covid-19 https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/portodasletras/article/view/11619 <p>Tomando como ponto de partida a problemática gestão da pandemia de Covid-19, no Brasil, analiso de que modo Foucault pensou o problema das epidemias, iniciando com as reflexões dedicadas à oposição entre o dispositivo disciplinar e o exercício do poder soberano. Posteriormente, analiso a questão das epidemias e da saúde em geral a partir da perspectiva teórica aberta pelo conceito de biopolítica da população. Para, finalmente, refletir sobre a gestão biopolítica da pandemia de Covid-19 realizada pelo governo de Bolsonaro como representante de uma forma extrema de esse dispositivo de poder. Argumento que a forma como foi administrada a pandemia no Brasil, considerada como a pior gestão do mundo, possui todas as características definidas por Achille Mbembe como <em>necropolítica</em>, destacando o lugar que o racismo e o negacionismo ocupam nessa política de exposição sistemática à morte.</p> Sandra Caponi Copyright (c) 2021 Porto das Letras 2021-04-09 2021-04-09 7 2 22 43 Brasil, um país doente https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/portodasletras/article/view/11544 <p>No presente artigo, temos como objetivo discutir a relação entre raça e doença nos discursos dos intelectuais no final do século XIX no Brasil. Para tanto, pretendemos olhar, especialmente, para os discursos dos médicos-cientistas do período, que procuraram relacionar as supostas mazelas do país com as raças e a mestiçagem. O período foi marcado por discursos rácio-biológicos, baseados na teoria do evolucionismo social, que buscaram hierarquizar as raças a partir de diversas categorias, tais como civilizado/primitivo, evoluído/atrasado, perfeito/defeituoso. Devido a isso, o negro e o mestiço foram considerados, assim, fatores que levavam à degeneração – física, mental e cultural – da população brasileira. Como o Brasil era considerado uma nação mestiça, esses discursos acabaram por se deslocar do indivíduo para a sociedade, de forma que a nação também foi pensada através de categorias raciais. Com esse estudo, pretendemos mostrar como a ciência brasileira contribuiu para a manutenção e reprodução do racismo, em diversos níveis.</p> Ana Cláudia Fabre Eltermann Copyright (c) 2021 Porto das Letras 2021-04-09 2021-04-09 7 2 44 63 O vírus nos ronda: metáforas sobre vírus e sobre corrupção https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/portodasletras/article/view/11061 <p>Neste artigo, vamos analisar metáforas sobre vírus e sobre corrupção. Mostramos que estas metáforas são construídas com base numa percepção de um tempo sem limites. Metaforicamente, tanto os eventos da propagação do vírus quanto da disseminação da corrupção são vistos como incrementais, iterativos e atélicos. Esta representação do tempo é expressa por meio da propagação no espaço, no caso das metáforas sobre vírus, e diretamente representada&nbsp; pelo aspecto verbal imperfectivo, no caso das metáforas sobre corrupção. Utilizamos o conceito de política da eternidade (SNYDER, 2018) para explicar o papel da percepção do tempo no modo de apreensão de eventos sociais.&nbsp; O desenrolar dos fatos sociais está limitado por uma visão que foca nas fases do evento, mas é incapaz de abranger a situação como um todo, tanto temporal quanto espacialmente.</p> <p>&nbsp;</p> Heronides Moura Fábio Lopes da Silva Copyright (c) 2021 Porto das Letras 2021-04-09 2021-04-09 7 2 64 82 Pandemias como acontecimento histórico-discursivo https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/portodasletras/article/view/11407 <p>O propósito deste trabalho é abordar o acontecimento histórico-discursivo da pandemia de Covid-19 no Brasil e, diante da análise de notas de repúdio, evidenciar a formulação de discursos e políticas de descrédito de medidas que poderiam auxiliar na não circulação do vírus entre a população, no sentido de poder contribuir com o debate científico com a proposição de reflexões de um tema que ainda está em seu pleno desenvolvimento no curso da História da humanidade. Sendo assim, no intuito de empreender um gesto de análise, a partir da estratégia do governo brasileiro para o enfretamento da pandemia de Covid-19 e seus desdobramentos como elementos de uma regularidade discursiva, buscaremos estabelecer reflexões em que o esfacelamento de determinados discursos de convívio social fica evidente, apontando para o empobrecimento do simbólico, e de onde é possível apreender, portanto, a materialização na linguagem de uma atitude perversa, uma vez que há a presença constante do desentendimento entre os homens e que indicam seu papel e seu valor na construção dos laços sociais.</p> Luiz Augusto Ely Copyright (c) 2021 Porto das Letras 2021-04-09 2021-04-09 7 2 83 102 A biopolítica do risco e o discurso negacionista sobre vacinação contra Covid-19 https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/portodasletras/article/view/11556 <p><strong>Resumo: </strong>O ensaio propõe uma articulação entre os conceitos de biopolítica e risco buscando entender o funcionamento do discurso negacionista em torno da pandemia da Covid-19 no contexto brasileiro, particularmente no que se refere à decisão de se vacinar. Entendendo biopolítica, a partir de Michel Foucault, como um conjunto de práticas heterogêneas, tecidas em rede e operando simultaneamente nas dimensões do saber, poder e subjetividade, mostro como o discurso do negacionismo científico em relação às vacinas confere materialidade a tal conjunto de práticas, ressignificando no nível das decisões individuais o que se propõe como política de saúde pública na governança das populações. Por meio da análise discursiva preliminar de um áudio circulando no início de 2021 em grupos de um aplicativo de mensagens, aponto para a construção local dos saberes sobre a vacinação, alicerçada aqui, em grande parte, na indistinção entre opinião e (des)informação e em argumentos de suposta autoridade científica.&nbsp; &nbsp;&nbsp;</p> <p>&nbsp;</p> Carlos Renato Lopes Copyright (c) 2021 Porto das Letras 2021-04-09 2021-04-09 7 2 103 117 Já vi esse filme https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/portodasletras/article/view/10941 <p>Este estudo propõe-se a analisar o domínio de memória em quatro charges que discursivizam&nbsp; a pandemia da COVID-19, cujo pano de fundo se baseia em referências ao cinema para a construção de sentidos. Os elementos verbo-visuais constituintes da prática discursiva humorística retomam os filmes para enunciar acerca do momento pandêmico. O aparato teórico que norteia este trabalho ancora-se nas reflexões de Foucault (2010) acerca do discurso, da prática discursiva, do enunciado e do domínio de memória. A pesquisa caracteriza-se por um viés descritivo-interpretativo, de natureza qualitativa. As charges analisadas mostram que a remissão ao cinema ressignifica os sentidos construídos, ao possibilitar a emergência de discursos sobre a seriedade da contaminação pelo novo coronavírus e, mais do que isso, pontuar críticas à postura do governo Bolsonaro no enfrentamento a essa crise sanitária mundial.</p> Joseeldo da Silva Junior Francisco Vieira da Silva Copyright (c) 2021 Porto das Letras 2021-04-09 2021-04-09 7 2 118 137 Discurso em análise https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/portodasletras/article/view/11550 <p>Com filiação à Análise de Discurso de tradição em Michel Pêcheux, buscamos neste texto romper com os efeitos de evidência acerca de sentidos construídos a respeito da Covid-19, expondo o olhar leitor à opacidade dos sentidos. Eis, a nosso entender, o papel da linguagem na reflexão de temas públicos em tempos da pandemia: compreender os sentidos que são ditos a seu respeito, mas, também, e, sobretudo, aqueles que não são ditos e significam, (re) produzindo sentidos. Para isso, trazemos para análise, um recorte de um discurso representativo de uma classe privilegiada no sistema de produção capitalista em que vivemos, cujos efeitos de sentido textualizam, em nossa opinião, seus interesses. Nosso objetivo é compreender como sujeitos inscritos em uma posição-sujeito favorecida economicamente, significam as consequências da Covid-19, o isolamento social e o outro. Partimos do entendimento de que a materialidade da língua não nos garante o acesso a sua ordem, por isso, é fundamental fazermos intervir a história e a ideologia, para dar conta da historicidade dos sentidos. Dessa forma, procuramos refletir acerca de três questões norteadoras desta proposta, e finalizamos com o entendimento de que se trata de um discurso que evidencia a luta de classes.</p> Naiara Souza da Silva Mariana Jantsch de Souza Copyright (c) 2021 Porto das Letras 2021-04-09 2021-04-09 7 2 138 158 Loucura e Periculosidade https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/portodasletras/article/view/11586 <p align="justify"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;">Este artigo tem por objetivo discutir a produção da subjetividade do louco como um sujeito periculoso e problematizar os efeitos de verdade dos discursos, no caso deste estudo, o discurso jornalístico, sobre a circulação desse sujeito em território. Para tanto, a discussão realizada encontra-se ancorada teórica e metodologicamente nos estudos discursivos foucaultianos, especialmente nos escritos do filósofo sobre a loucura, a disciplinarização dos corpos e a produção de subjetividade. Em uma chave de leitura arquegenealógica, discute-se como os saberes jurídico e médico produzem discursos sobre o que é a loucura e quem é o louco, saberes esses que caracterizam o louco como um sujeito que deve ser segregado e institucionalizado, dada a periculosidade que apresenta sob a ótica de tais discursos institucionais. Os resultados apontam que a produção de subjetividade do sujeito louco como um corpo periculoso reside nos domínios da memória e de saberes higienistas, patologizantes e segregacionistas, e que o medo é um efeito de verdade dos discursos do Direito e da Medicina sobre esse sujeito.</span></span></p> Fernanda Crosara Ladir Bruno Franceschini Copyright (c) 2021 Porto das Letras 2021-04-09 2021-04-09 7 2 159 187 Decifrando Estamira https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/portodasletras/article/view/11484 <p><strong>Resumo: </strong>Os conceitos manifestos, o uso de palavras e a escolha de termos expressos pela linguagem, exprimem um processo elucidativo, que evoca a estrutura da comunicação em seus parâmetros particulares, agregando história, cenário e conteúdos intrínsecos ao indivíduo que a utiliza. Esse mesmo processo ocorre em pacientes com esquizofrenia, sendo possível em um minucioso exame de seu discurso, captar, entre falas e expressões excêntricas, uso atípico de termos e entonações, um significado corrente e verossímil, que viabiliza estabelecer uma comunicação concisa, a fim de realizar investigações <em>psicosimbólicas </em>em sua fala. Através do estudo do discurso de Estamira, em convergência com materiais bibliográficos vigentes, o trabalho objetiva demonstrar a possibilidade de realizar uma investigação em processos psíquicos e comunicacionais em pacientes com esquizofrenia, asseverando que há riqueza de símbolos e significados coesos no processo do discurso que à primeira vista aparenta manifestar-se desconexo.</p> Rebeca Moraes Reis Dias Copyright (c) 2021 Porto das Letras 2021-04-09 2021-04-09 7 2 188 217 Doença e loucura na tragédia Ajax de Sófocles https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/portodasletras/article/view/11561 <p><strong>Resumo: </strong>O objetivo do artigo é discutir a relação entre doença e loucura na tragédia <em>Ájax</em> de Sófocles, rastreando o vocabulário da doença (<em>nósos</em>) nessa peça do século V a.C. A tragédia grega era um espetáculo de caráter ritualístico com dimensões cívicas, que utilizava enredos míticos e abordava uma série de questões pertinentes à pólis. O vocabulário empregado pelos poetas trágicos era composto por termos religiosos e oriundos das instituições da cidade. A terminologia da doença demonstra desequilíbrios entre o herói e seu entorno social. Além de um problema do corpo, a doença é utilizada com uma rede discursiva que constrói representações sobre a saúde, o doente e a comunidade. <em>Ájax</em> é uma tragédia que que descreve não apenas os males físicos, mas também os efeitos sociais da loucura e perspectivas gregas sobre a doença. O artigo é uma investigação da doença em relação à loucura na Grécia Antiga, analisando o significado da doença do herói na tragédia e mapeando posturas frente à <em>nósos</em>.</p> Mateus Dagios Copyright (c) 2021 Porto das Letras 2021-04-09 2021-04-09 7 2 218 235 Medeia, práticas discursivas e anormalidade https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/portodasletras/article/view/11553 <p>O texto tem por objetivo ensaiar discussões sobre a produção de corpos anormais a partir da problematização de seus nomes e lugares, tecendo reflexões no campo das práticas discursivas. Partindo das leituras da tragédia <em>Medeia,</em> de Sêneca<em>, </em>do curso <em>Os anormais </em>e da obra <em>As palavras e as coisas, </em>de Foucault, procuramos refletir sobre a seguinte questão: como as práticas discursivas constituem a anormalidade e a materializam em determinados corpos? Para isso, problematizamos as práticas discursivas que recaem sobre a mãe filicida, com o propósito de compreender como ocorre a produção da anormalidade e como tal prática deseja um lugar, cujo corpo constitui a primeira territorialidade.</p> Jenniffer Simpson dos Santos Rosimeri Aquino da Silva Copyright (c) 2021 Porto das Letras 2021-04-09 2021-04-09 7 2 236 250 O Discurso da dor feminina invisível https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/portodasletras/article/view/11532 <p class="p1">Este artigo analisa o discurso da dor da mulher a partir da autobiografia <em>Escapada</em>, de Evelyn Scott, escrita durante sua experiência de exílio auto imposto, no Brasil, entre 1914 e 1919. A análise destaca a influência de gênero nas interações estabelecidas entre a mulher, na posição de parturiente, e a equipe de profissionais de saúde envolvidos, que inclui também uma mulher. Ao vivenciar a dor, Evelyn Scott experimenta uma inusitada relação entre mente e corpo. Ela atribui, durante as dores agudas do parto, um valor positivo a esta emoção e, posteriormente, quando sofre de dor crônica, a escritora parece depender da dor provocada pelo corpo, para dar vida à mente. Especificamente, investigamos a relação entre dor e gênero quando o discurso se configura como única evidência disponível para legitimação da dor da mulher. Discursivamente, a deslegitimação da dor de Evelyn Scott pelos profissionais de saúde é acompanhada pelo sentimento de invisibilidade de sua identidade e de objetificação do seu corpo. Embora fatores como classe social e raça influenciem esse processo de legitimação da dor, observamos a proeminência das questões de gênero, inclusive por parte da única mulher da equipe médica, que revela o desejo de punição ao comportamento de Scott, interpretado como histérico.</p> Adriana Lessa Maria das Graças Salgado Copyright (c) 2021 Porto das Letras 2021-04-09 2021-04-09 7 2 251 272 Dispositivo de sexualidade e segurança nos discursos sobre o combate ao tabagismo e aos riscos de impotência sexual https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/portodasletras/article/view/10513 <p>Neste artigo, analisamos três enunciados de campanhas antitabagistas veiculadas nas embalagens de cigarros. Pretendemos analisar como o dispositivo de sexualidade se entrelaça ao dispositivo de segurança para construir discursos sobre o tabagismo como um risco à saúde e ao desempenho sexual do sujeito fumante. Nossa discussão está ancorada nos pressupostos dos Estudos Discursivos Foucaultianos, mobilizando os conceitos de dispositivo, governamentalidade, biopolítica e biopoder (FOUCAULT, 1999; 2005a; 2013a; 2013b) e em estudos de comentadores de Foucault. O <em>corpus </em>é composto por três enunciados que tratam dos ricos de impotência sexual acarretados pelo tabagismo. As análises são feitas com base nas discussões de Foucault acerca dos mecanismos de normalização da vida de população, que inclui a sexualidade. Concluímos que o governo da população é legitimado por saberes e instituições, que agenciam o discurso antitabagista e controlam o seu modo de circulação, nos quais o corpo do fumante é concebido como sexualmente impotente e, por isso, uma ameaça a toda a população.</p> Claudemir Sousa Copyright (c) 2021 Porto das Letras 2021-04-09 2021-04-09 7 2 273 297 Ser e Não-Ser https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/portodasletras/article/view/11508 <p class="western" align="justify"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">Este artigo propõe um ensaio a partir de um proferimento emitido por um visitante de uma paciente em estado de mutismo acinético em um leito de UTI. Esboça-se considerações a respeito do proferimento do visitante, que diz: “Mãe, abre os olhos pra eu te ver” – que entendemos revelar uma </span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><span lang="pt-BR">hesitação</span></span></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"> quanto à percepção da identidade pessoal da paciente. Partimos de algumas considerações de Wittgenstein sobre visão de aspectos, ver e ver como. A</span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><span lang="pt-BR">proximamo-nos</span></span></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"> de noções que consideramos auxiliares para a compreensão da questão posta, como “identidade pessoal”, “pessoa”, “eu”, “tu”. Pela via da linguagem situada, portanto pragmática, busca-se abordar as noções citadas de maneira a compreender melhor a situação da emergência e da revelação de um modo de perceber e de dizer, que se correlacionam. Desenvolvendo comparações, contrastes e aproximações de discursos, busca-se mostrar como isso que reconhecemos como identidade pessoal, ou seja, que lidamos com “a mesma pessoa”, relaciona-se intimamente com o falar e o olhar, e certas maneiras de conceber e perceber uma </span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><em>vida psíquica</em></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">. </span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"><span lang="pt-BR">De forma</span></span></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;"> que o sucesso de uma resposta depende do sentido da interpelação. Com isso, este artigo tem como objetivo evidenciar a complexidade do tema quando confrontado com situações limites (como a pessoa com baixos níveis de consciência) ao circular ao redor do proferimento-questão. </span></span></p> Guilherme Bernardo Moreira Soares Copyright (c) 2021 Porto das Letras 2021-04-09 2021-04-09 7 2 298 321 Metáforas e frames sobre a Doença de Alzheimer em textos de divulgação científica https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/portodasletras/article/view/11398 <p>Este artigo tem como objetivo mostrar, em matérias jornalísticas brasileiras e norte-americanas <em>on-line</em> de divulgação científica, o uso de metáforas e de <em>frames</em> na construção de estereótipos negativos que visam evidenciar uma noção da Doença de Alzheimer como um fardo e como uma guerra, por exemplo. Essas representações reforçam o discurso voltado para a eutanásia como uma solução para pacientes e para os familiares. O referencial teórico é composto por textos que tratam de metáfora conceptual, Lakoff e Johnson (1980), de metáfora primária, Grady (1997), de Semântica de <em>frames</em>, Fillmore (1982; 2006), <em>frame</em> e Doença de Alzheimer, Kirkman (2006), Van Gorp e Vercruysse (2012), Johnstone (2014) e Peel (2014). O <em>corpus</em> é composto por matérias de divulgação científica sobre a Doença de Alzheimer de <em>sites</em> de jornais <em>on-line</em> brasileiros e norte-americanos e coletadas em um período entre janeiro de 2011 e julho de 2017. Os dados foram analisados com o auxílio de metodologia de análise metafórica adaptada de Stefanowitschi e Gries (2006), tendo a ferramenta <em>AntConc</em> como apoio para seleção e para compilação dos dados, assim como a <em>FrameNet</em> foi utilizada para compreender os <em>frames</em>. Com a análise, afirmamos ainda que as metáforas dão noção de que a doença tem alto alcance e são essas metáforas e <em>frames</em> que chamam a atenção para a situação de calamidade pública relacionada à Doença de Alzheimer. Concluímos que há uma imagem de desesperança veiculada à doença evidenciada como uma ladra de mentes e como um eterno funeral.</p> Suelen Martins Copyright (c) 2021 Porto das Letras 2021-04-09 2021-04-09 7 2 322 350 Analise semântica de uma doença não nomeada chamada velhice https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/portodasletras/article/view/11116 <p>O tema da doença produziu muitos personagens e histórias na literatura do século XX. Para além de uma avaliação da história da literatura, acreditamos ser pertinente compreender os mecanismos enunciativos de nomeação ou de negação de nomeação que engendram ou escondem doenças e possíveis motivações linguísticas e discursivas que subjazem a esses processos linguísticos. Elegemos como ponto de partida uma pequena análise do termo <em>diabete</em>, tal como elaborada pelo linguista Émile Benveniste (1947). &nbsp;Em seguida, analisamos textos correlatos a problemática, a saber, “A forma e o sentido na linguagem” (PLG II) e “A blasfemia e a eufemia”. Este último texto também trata de uma denominação e ocultamento de nome. Desses estudos retiramos a operacionalização da análise de um outro vocábulo, implícito em uma crônica de Eliane Brum, publicada no livro <em>A vida que ninguém vê </em>(2006)<em>,</em> a saber, velhice. Demonstramos por fim que os diversos “modos de ser língua” são marcados no agenciamento de sentidos e no lugar que a doença ocupa no discurso ficcional para o sujeito.</p> Silvana Silva Copyright (c) 2021 Porto das Letras 2021-04-09 2021-04-09 7 2 351 363 Ensino, narrativa e saúde docente https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/portodasletras/article/view/11495 <p>Este estudo pretende analisar as narrativas de docentes acometidos por patologias durante a prática laboral, além de debater sobre a relação que o professor faz da rotina escolar com as doenças adquiridas. O objetivo é avaliar, a partir das entrevistas realizadas, a forma de pensar do professor frente a sua profissão e entender a analogia estabelecida pelo educador entre fé e cura com base nas doenças relatadas durante as entrevistas coletadas, bem como entender como esse processo influencia no processo de ensino-aprendizagem. A pesquisa adotou uma metodologia qualitativa, buscando analisar e interpretar o discurso dos professores à luz das ideias de Paul Ricouer (1995), Davi Arrigucci Junior (1998), José Carlos Sebe Bom Meihy (2015), Cláudia Murta (2002), dentre outros especialistas no assunto. Contrói-se aqui a hipótese de que o cotidiano escolar pode promover significativas implicações na saúde do professor. As histórias revelam as experiências vividas pelos docentes em situações de conflito no âmbito escolar, enfraquecimento psíquico e tratamento clínico para os distúrbios de saúde relatados.</p> Juliana Franco Alves Garbim Francisco Cláudio Alves Marques Copyright (c) 2021 Porto das Letras 2021-04-09 2021-04-09 7 2 364 387 Produção artístico-literária de mães brasileiras em tempos de pandemia https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/portodasletras/article/view/11200 <p>Inseridos no contexto pandêmico de 2020, a realidade humana mudou drasticamente em todos os países do globo, não sendo diferente no contexto brasileiro. Submetendo-nos ao isolamento literalmente da noite para o dia, a realidade de mulheres mães brasileiras viu-se, mais uma vez, sobrecarregada com o trabalho, a rotina doméstica, o cuidado com os filhos e o seu acompanhamento no ensino remoto, para dizer o mínimo. Nesse sentido, o conjunto de atribuições que sobrecarrega a mulher impacta diretamente em se tratando de mães artistas e escritoras, cabendo ao grupo analisar de que formas esse impacto ocorre. Assim, trabalhamos para um melhor entendimento sobre como a produção artístico-literária poderia contribuir com a realidade pandêmica dessas mães hoje, considerando as situações de risco, segurança e solidão, bem como compreender quais os sentidos e os significados que suas produções revelam em se tratando de atenuar os impactos psicossociais infligidos pelas novas configurações de vida e isolamento.</p> Fernanda Tonholi Sasso Curanishi Karla Menezes Lopes Niels Isabela Melim Borges Marciana Gonçalves Farinha Siane Paula de Araújo Carolina Rodrigues Copyright (c) 2021 Porto das Letras 2021-04-09 2021-04-09 7 2 388 404 Arte como posssibilidade de subjetivação às pessoas que vivem com hiv https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/portodasletras/article/view/11122 <p>Esse texto se propõe a analisar e reconhecer que, contra necropolíticas que se estabelecem na contemporaneidade, principalmente aquelas que atingem os sujeitos que vivem com hiv no Brasil, há soropositivos que continuam buscando reconhecimento social e outras maneiras de resistir, como Maria Sil, artista e ativista na causa hiv/aids. Nesse escopo, perscrutamos algumas das produções de Sil que tomam o seu próprio corpo como espaço político, de luta e resistência, reivindicando o direito de voz e a necessidade de transformar a experiência de viver com hiv, na tentativa de entender os discursos que insistem em tomar a aids, o hiv &nbsp;e seu portador, como acontecimentos que se referem a sujeitos abjetos e excluídos, a vidas que não merecem ser salvas, assim como suas possibilidades de resistência. A análise percorre inicialmente os enunciados que tratam da aids e do hiv como dispositivos biopolíticos e daqueles que tratam do corpo enquanto espaço de resistência e possibilidade de agenciamento, segundo a concepção de um corpo sem órgãos.</p> Camila de Almeida Lara Arthur Vinicius Anoroso Nunes Copyright (c) 2021 Porto das Letras 2021-04-09 2021-04-09 7 2 405 429