ENTRE O REAL E O FICCIONAL

NARRAR A VIDA COMO ROMANCE DE FORMAÇÃO EM DE ONDE ELES VÊM, DE JEFERSON TENÓRIO

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20873.res.2501

Resumo

O romance De onde eles vêm, de Jeferson Tenório, articula experiências autobiográficas, sociais e políticas em uma narrativa que se inscreve no modelo do romance de formação, tensionando os limites entre o real e o ficcional. Acompanhamos a trajetória de Joaquim, jovem negro e escritor em busca de pertencimento e identidade, cuja caminhada é atravessada por memórias familiares, desigualdades raciais, violências estruturais e descobertas subjetivas. A narração, marcada por uma linguagem introspectiva e sensível, estrutura-se como um processo de autoconhecimento em meio a um mundo hostil, mas também como construção estética de uma voz autoral. Ao entrelaçar ficção e experiência, Tenório desafia a ideia de uma linearidade formativa típica do Bildungsroman tradicional, propondo uma formação marcada por rupturas, silenciamentos e retomadas. O ato de narrar torna-se, assim, não apenas instrumento de reconstrução de si, mas gesto político e poético de resistência diante das formas de apagamento que incidem sobre os corpos negros no Brasil. O romance reconfigura a tradição literária ao inserir novas perspectivas de subjetividade, memória e pertencimento, revelando como o literário pode elaborar traumas históricos e possibilitar futuros outros. Ao fim, De onde eles vêm propõe que o lugar de origem não é fixo, mas sim um espaço simbólico reconstruído pela linguagem e pela imaginação.

 

Referências

FALERO, José. Vila Sapo. Belo Horizonte: Venas Abiertas, 2019.

SCOTT, Paulo. Marrom e Amarelo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

TENÓRIO, Jeferson. De onde eles vêm. São Paulo: Companhia das Letras, 2024.

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Publicado

2026-02-20

Como Citar

Veloso, R. F. (2026). ENTRE O REAL E O FICCIONAL: NARRAR A VIDA COMO ROMANCE DE FORMAÇÃO EM DE ONDE ELES VÊM, DE JEFERSON TENÓRIO. Porto Das Letras, 11(2), 1–6. https://doi.org/10.20873.res.2501