Brecht, Saramago e Buzetto - espacialidades políticas do medo e do mal
DOI:
https://doi.org/10.20873.2547Palabras clave:
Medo cultural, Bertolt Brecht, José Saramago, Marco BuzettoResumen
Conquanto a crítica de orientação materialista relute em reconhecer o gótico e o relegue à condição de subliteratura, muitos escritores marxistas valeram-se do terror e do horror para ficcionalizar o medo cultural advindo das distintas formas de opressão. No século XX, marcado pela ascensão, institucionalização e espraiamento do nazifascismo pelo Ocidente, diversos autores buscaram uma conciliação entre as dimensões material e transcendente/sobrenatural da vida para estabelecer esteticamente suas investigações acerca do imaginário coletivo. Neste artigo, buscaremos evidenciar os modos pelos quais três obras valeram-se do locus horribilis, da personagem monstruosa e do passado que regressa – estruturas formais da literatura gótica – para denunciar a opressão social dramática, lírica e narrativamente: Terror e miséria do Terceiro Reich, de Bertolt Brecht; O ano de 1993, de José Saramago; e Conturbado, de Marco Buzetto. Demonstrar-se-á como a espacialização do terror e do horror adaptou-se a diferentes culturas e gêneros para preservar seus efeitos e potencializá-los enquanto uma estrutura de sentimentos onipresente porque irresolvida na dimensão histórica.
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