(DES)CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE CULTURAL NEGRA A PARTIR DE PERSONAGENS FÍLMICOS
UM OLHAR DA NEGRITUDE NO FILME M-8 QUANDO A MORTE SOCORRE A VIDA
DOI:
https://doi.org/10.20873/porletras/11Resumo
Esta pesquisa objetiva analisar como a identidade cultural dos negros pode ser ressignificada a partir de um olhar para a negritude, tendo como corpus o filme M-8 Quando a morte socorre a vida (2020), roteirizado e dirigido pelo cineasta Jeferson De, integrante do cinema negro brasileiro. Parte-se de uma investigação qualitativa que usa como abordagem metodológica a Análise Crítica do Discurso (ACD), de expoente faircloughiano (FAIRCLOUGH, 2016), pautada nas relações sociais que a representação de um personagem negro pode acarretar socialmente. A pesquisa se apoia nos estudos sobre cinema de Stam (2003); sobre identidade, de Hall (2006); sobre identidade e representação negra de Fanon (2008), Kilomba (2019); e sobre negritude, com Césaire (2016) e Bernd (1998). A análise foi constituída pela interpretação e discussão dos discursos normatizados que são reproduzidos e naqueles que são ressignificados pelas lentes da negritude. O desenvolvimento dessas categorias permitiu compreender as estratégias de ressignificação na reexistência negra construída no filme. A hipótese que se faz é que a produção construída pelo cineasta negro mostra que a representação da identidade cultural negra, comumente estereotipada para os subjugar em obras fílmicas, pode ser desmistificada pelo discurso da negritude, possibilitando mudanças discursivas e sociais, a curto e longo prazo, nos espaços sociais.
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