O SUBLIME E O GROTESCO NA POESIA INDIANISTA BRASILEIRA
DOI:
https://doi.org/10.20873.25410Palavras-chave:
Nação; Romantismo; Indianismo; Sublime; Grotesco.Resumo
Devido à proximidade conjuntural entre a independência formal do Brasil e a ascensão do romantismo no país, essa estética é sintomática de como a literatura atuou na invenção de uma identidade nacional em que grupos heterogêneos seriam unificados em representações ficcionais monolíticas. Em face desse panorama, este artigo examina figurações literárias do indígena brasileiro à luz dos conceitos de sublime e grotesco, em cotejamento entre a poética indianista de Gonçalves Dias, coadunada com o nacionalismo ufanista, e a poética contrapontística empreendida por Bernado Guimarães. Em hermenêutica informada pelo comparatismo literário, observamos nessas representações que a cizânia entre a idealização etérea, vinculada ao sublime, e a ridicularização escatológica, atrelada ao grotesco, implicou arremedo paródico do discurso pátrio de Gonçalves Dias pelo contradiscurso amoldado ao humor rabelaisiano, no qual a desconstrução promovida pela comicidade pantagruélica assinala, por meio do riso, a incongruência de narrativas oficiais.
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