A Sombra do Velho Sul e os Papéis de Gênero em A Balada do Café Triste, de Carson Mccullers

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DOI:

https://doi.org/10.20873.26elit18

Resumo

Este artigo pensa o Velho Sul estadunidense, seus desdobramentos nostálgicos e marcações de gênero, conforme representados na novela A Balada do Café Triste, de Carson McCullers. Partindo das reflexões de Judith Butler (2015) sobre a heterossexualidade compulsória e da concepção de grotesco proposta por Wolfgang Kayser (2009) e Victor Hugo (2012), a análise mostra como a protagonista, senhorita Amélia, desafia os modelos tradicionais de feminilidade. Sua força física, autonomia e ambiguidade a afastam do ideal da Southern belle, tornando-a símbolo de resistência às normas biologizantes e sociais impostas pela cultura patriarcal do Sul. A tensão entre corpo, gênero e poder revela o grotesco como estética e crítica: simultaneamente, espelho da desordem e denúncia da correspondência forçada entre sexo biológico e comportamento. A narrativa de McCullers transforma o grotesco em instrumento de reflexão sobre a decadência moral do Velho Sul e sobre a permanência de hierarquias que naturalizam a subordinação feminina. Ao final, o texto interpreta o grotesco como espaço de resistência simbólica, no qual a diferença e o desvio tornam-se formas de revelação e crítica ética da sociedade.

Biografia do Autor

Pedro Felipe Martins Pone, UFERSA

Doutor em Letras (UERN, 2019). Professor de Literaturas de Língua Inglesa do Departamento de Linguagens e Ciências Humanas da UFERSA. E-mail: pedro.pone@ufersa.edu.br

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Publicado

2026-06-14

Como Citar

Martins Pone, P. F. (2026). A Sombra do Velho Sul e os Papéis de Gênero em A Balada do Café Triste, de Carson Mccullers. Porto Das Letras, 12(Especial), 1–19. https://doi.org/10.20873.26elit18