O SUBLIME E O GROTESCO NA POESIA INDIANISTA BRASILEIRA

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.20873.25410

Palabras clave:

Nação; Romantismo; Indianismo; Sublime; Grotesco.

Resumen

Devido à proximidade conjuntural entre a independência formal do Brasil e a ascensão do romantismo no país, essa estética é sintomática de como a literatura atuou na invenção de uma identidade nacional em que grupos heterogêneos seriam unificados em representações ficcionais monolíticas. Em face desse panorama, este artigo examina figurações literárias do indígena brasileiro à luz dos conceitos de sublime e grotesco, em cotejamento entre a poética indianista de Gonçalves Dias, coadunada com o nacionalismo ufanista, e a poética contrapontística empreendida por Bernado Guimarães. Em hermenêutica informada pelo comparatismo literário, observamos nessas representações que a cizânia entre a idealização etérea, vinculada ao sublime, e a ridicularização escatológica, atrelada ao grotesco, implicou arremedo paródico do discurso pátrio de Gonçalves Dias pelo contradiscurso amoldado ao humor rabelaisiano, no qual a desconstrução promovida pela comicidade pantagruélica assinala, por meio do riso, a incongruência de narrativas oficiais.

Biografía del autor/a

RAIMUNDO SOUSA, Universidade Federal de Mato Grosso

Doutor em Estudos Literários (Teoria da Literatura e Literatura Comparada) pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Professor Adjunto de Literaturas de Língua Portuguesa na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Gean Riwster Vilas Boas , Universidade Federal de Mato Grosso

Graduando em Letras, com habilitação em Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa, pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), cam´pus Araguia. Bolsista de Iniciação Científica pelo CNPq.

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Publicado

2026-03-14

Cómo citar

SOUSA, R., & Riwster Vilas Boas , G. (2026). O SUBLIME E O GROTESCO NA POESIA INDIANISTA BRASILEIRA. Porto Das Letras, 11(4), 1–22. https://doi.org/10.20873.25410