A questão da intencionalidade no assédio moral

Resumo

O presente artigo aborda e a questão da intencionalidade na caracterização dos casos de assédio moral, apresentando dois posicionamentos distintos: 1. Intencionalidade como critério obrigatório para caracterização do assédio e 2. Intencionalidade como elemento complementar para a caracterização do assédio. Contempla também a discussão sobre as implicações do uso da intencionalidade como critério obrigatório, passando pela questão das responsabilidades, tomando como dados de realidade três ações julgadas no judiciário trabalhista. Conclui-se que a intencionalidade no assédio moral é abordada com frequência na literatura, com superficialidade e pouca clareza, dando espaço para que este critério, quando adotado como obrigatório, leve a uma análise que tende a buscar culpados, com repercussões na área da saúde, da gestão e do direito.

Biografia do Autor

##submission.authorWithAffiliation##

Psicóloga pela UFPR.  Doutora em Medicina Preventiva pela USP. Professora no Departamento de Psicologia. Coordenadora do grupo de pesquisa Trabalho e Processo Subjetivação – UFPR. Orientadora do artigo.

Thais Miara

Psicóloga. Membro do grupo de pesquisa Trabalho e Processo Subjetivação – UFPR.

##submission.authorWithAffiliation##

Graduanda em Psicologia - UFPR. Membro do grupo de pesquisa Trabalho e Processo de Subjetivação - UFPR. 

Referências

Alkimin, M. A. (2013). Assédio moral na relação de trabalho. Curitiba: Juruá. Disponível em: http://www.jurua.com.br/bv/conteudo.asp?id=23094#proxima.
Barreto, M. (2013). Assédio moral: trabalho, doenças e morte. In: Seminário compreendendo o assédio moral no ambiente de trabalho, Florianópolis. Anais. São Paulo: Fundacentro, 2013, p. 13-26. Disponível em: http://www.assediomoral.ufsc.br/files/2013/03/Seminario-Combate-AMT-Fundacentro-2013.pdf. Acesso em 25 de outubro de 2013.
Chappell, D. & Di Martino, V. (2006). Violence at work, third edition. International Labour Office, Geneva. Disponível em: http://www.ilo.org/wcmsp5/groups/public/@dgreports/@dcomm/@publ/documents/publication/wcms_publ_9221108406_en.pdf
Dejours, C. (2007). Psicodinâmica do trabalho na pós-modernidade. In: Mendes, A. M.; Lima, S.C.C.; & Facas, E. P. (Orgs). Diálogos em Psicodinâmica do trabalho. Brasília: Paralelo.
Di Martino, V., Hoel, H. & Cooper, C. L. (2003). Preventing violence and hassment in the workplace. European Foundation for the Improvement of Living and Working Conditions. [Eurofound]. Ireland.
Di Martino, V. (2011). Workplace violence in the health sector: relationship between work stress and workplace violence in the health sector. International Labour Office, Internacional Council of Nurses, World Heath Organization, Public Services International. Geneva: International Labour Office.
Einarsen, S. (2000). Harassment and bullying at work: A review of the Scandinavian approach. Aggression and Violent Behavior, 4(5), p. 379–401.
Einarsen, S., Hoel, H., Zapf, D., & Cooper, C. L. (2003) The concept of bullying at work. In: S. Einarsen, H. Hoel, Zapf, D. & Cooper, C. L. (Eds.), Bullying and emotional abuse in the workplace .
Einarsen, S., Hoel, H., Zapf, D. & Cooper, C. L. (2010). Bullying and harassment at work: developments in theory, reseach and practice. CFC Press: EUA, Segunda edição.
Evangelista, R. & Menezes, I. V. (2000). Avaliação do dano psicológico em perícias acidentárias. Revista IMESC, 2, 45-50. Disponível em: http://www.imesc.sp.gov.br/pdf/art2rev2.pdf.
Freitas, M. E. (2007). Quem paga a conta do assédio moral no trabalho? In: RAE-eletrônica. Escola de Administração de Empresas de São Paulo, Brasil.
Freitas, M. E., Heloani, R. & Barreto, O. M. (2008). Assédio Moral no Trabalho. São Paulo: Cengage Learning.
Ferreira, J. B. (2009). Perdi um jeito de sorrir que eu tinha: violência, assédio moral e servidão voluntária no trabalho. Rio de Janeiro: 7Letras, 2009.
Forbes, J. B. (2012). Inconsciente e responsabilidade: Psicanálise do século XXI. Baueri, SP: Manole.
Gaulejac, V. (2007). Gestão como doença social: ideologia, poder gerencialista e fragmentação social. Aparecida, SP: Idéias e Letras, 2007.
Glina, D. M. R. (2010). Assédio moral no trabalho. In: Glina, D. M. R., Rocha, L. E. Saúde mental: da teoria à prática. São Paulo: Roca (p. 427-436).
Glina, D. M. R. & Soboll, L. A. (2012). Intervenções em assédio moral no trabalho: uma revisão da literatura. Rev. bras. saúde ocup., São Paulo, v. 37.
Heloani, R. & Barreto, M. (2010). Aspectos do trabalho relacionados à saúde mental: assédio moral e violência psicológica. In: Glina, D. M. R. & Rocha, L. E. Saúde mental: da teoria à prática. São Paulo: Roca, 2010 (p. 31-48).
Heloani, R. & Barreto, M. (2013). Assédio moral e sexual. In: Vieira, F. E., Mendes, A. M & Merlo, A. R. C. (Orgs). Dicionário Crítico de Gestão e Psicodinâmica do trabalho. Curitiba: Juruá, 2013, p. 55-59.
Hirigoyen, M. F. (2009). Assédio Moral: a violência perversa no cotidiano. 5ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil; 2002.
Hirigoyen, M. F. (2011). Mal-estar no trabalho: redefinindo o assédio moral. Tradução: Rejane Janowitzer – Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.
International Labour Office, International Council of Nurses, World Health Organization, Public Services International (2011). Framework guidelines of addressing workplace violence in the health sector. Geneva: International Labour Office.
Pinto, J. A. R. (2013) Contribuição do direito do trabalho para o combate ao assédio moral nas relações humanas. Revista LTr Legislação do Trabalho. São Paulo , v. 77, n. 7, p. 787-794., jul. 2013.
Rovinski, S. L. R. (2005). A avalição do dano psíquico em mulheres vítima de violência. In: Shine, S. (org). Avaliação psicológica e lei: adoção, vitimização, separação conjugal, dano psíquico e outros temas. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2005, p. 175-179.
Schatzmam, M., Gosdal, T. C., Soboll, L. A. & Eberl, A. D. (2009) Aspectos definidores do assédio moral. In: Soboll, L. A., Gosdal, T. C. (org). Assédio moral interpessoal e organizacional: um enfoque interdisciplinar, São Paulo: LTr.
Schatzmam, M. (2009). A violência moral sob a luz de categorias de Bordieu, Veroné do circulo de Bakhtin. In: Soboll, L. A., Gosdal, T. C. (org). Assédio moral interpessoal e organizacional: um enfoque interdisciplinar, São Paulo: LTr, 2009, p. 94-105.
Soboll, L. A. (2011). Assédio Moral no Trabalho. In: Cattani A. D. & Holzmann, L. (org). Dicionário de trabalho e tecnologia. Porto Alegre, RS: Zouk, 2011, p. 40-48.
Soboll, L. A. & Heloani, J. R. (2008). A origem das discussões sobre assédio moral no Brasil e os limites conceituais. In: Soboll, L. A. (org). Assédio moral/organizacional: uma análise da organização do trabalho. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2008a, p.17-33.
Soboll, L. (2017). Intervenções em assédio moral. São Paulo: Ltr. 2017.
Vieira, C. E. C., Lima F. P. A. & Lima, M. E. A. (2012). E se o assédio não fosse moral? Perspectivas de análise de conflitos interpessoais em situações de trabalho. Rev. bras. saúde ocup., São Paulo , v. 37, n. 126, Dec. 2012 .
Publicado
2017-12-12
Como Citar
SOBOLL, Lis Andrea; MIARA, Thais; MOSCALEWSKY, Juliana. A questão da intencionalidade no assédio moral. Trabalho (En)Cena, [S.l.], v. 2, n. 2, p. 03-17, dez. 2017. ISSN 2526-1487. Disponível em: <https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/encena/article/view/3832>. Acesso em: 23 jan. 2018. doi: https://doi.org/10.20873/2526-1487V2N2P3.
Seção
Artigos Teóricos e Empíricos

Artigos mais lidos do mesmo autor (s)

Obs .: Este plugin requer pelo menos um plugin de estatísticas/relatório para ser ativado. Se seus plugins de estatísticas fornecem mais de uma métrica, selecione uma métrica principal na página de configurações do site do administrador e/ou nas páginas de configurações do gerenciador de diários.