Dinâmica prazer e sofrimento de mulheres-mães trabalhadoras não-remuneradas com filhos prematuros em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal
DOI:
https://doi.org/10.20873/2526-1487e025005Palabras clave:
Maternidade, Trabalho Reprodutivo Não-Remunerado, Prematuridade, Unidade de Terapia Intensiva NeonatalResumen
A maternidade é um fenômeno multidimensional que envolve diversos aspectos na vida de uma mulher que se torna mãe, além de gerar ambivalências pela dinâmica prazer e sofrimento. Enquanto uma ocupação de cuidado, pode ser compreendida como um trabalho não remunerado, que associado à experiência com filho prematuro hospitalizado pode trazer implicações em diversos aspectos. Esta pesquisa buscou compreender a referida dinâmica em mulheres-mães com filhos prematuros hospitalizados, bem como identificar recursos e estratégias que auxiliam no manejo subjetivo e criativo dessas vivências. Caracteriza-se como pesquisa de campo e de natureza qualitativa, utilizando a entrevista semiestruturada e questionário sociodemográfico, mediante TCLE e aprovação no Comitê de Ética. Participaram 4 mulheres-mães com filhos prematuros com idade gestacional de até 36 semanas e 6 dias internados em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal. A análise de dados foi realizada a partir da Análise de Conteúdo. Os resultados emergiram em 6 seis categorias: Maternidade; Maternidade com filho prematuro; Trabalho como cuidadora não-remunerada; Dinâmica prazer e sofrimento; Rede de apoio e Fragilidades na assistência hospitalar. Verificou-se necessidades comuns por uma rede de apoio consistente, adequada assistência hospitalar e políticas públicas que as amparem diante do contexto laboral de cuidado na hospitalização devido à prematuridade.
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