GRAMATIZAÇÃO E O RACISMO CAMUFLADO
DOI:
https://doi.org/10.20873.25316Resumo
O artigo discute o racismo presente no processo de gramatização, compreendido como a tecnologia intelectual que sistematiza determinadas línguas em gramáticas e dicionários, excluindo outras e contribuindo para desigualdades linguísticas e sociais. A partir das reflexões de Rodrigues Alcalá e Aquino (2024), evidencia-se que a gramatização opera por seleção, legitimando certas formas linguísticas enquanto marginaliza variedades não eleitas, como ocorreu com as línguas indígenas no Brasil após a uniformização do tupi no período colonial. Essa exclusão se articula a mecanismos ideológicos mais amplos de discriminação racial e de classe, conforme discutido por Sousa (2022) e Queiroz (2022), que revelam como discursos sociais e institucionais continuam a associar pobreza, criminalização e analfabetismo a grupos racializados. Além disso, o texto destaca que a formação dos Estados nacionais europeus, o capitalismo mercantil e a urbanização fortaleceram a gramatização como instrumento político de unificação. Assim, o artigo analisa como esse processo histórico mantém, na atualidade, formas persistentes de racismo e desigualdade linguística, dialogando com autores como Silvio Almeida e Tucci Carneiro
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