CLASSE MÉDIA, MÍDIA E DITADURA: ASPECTOS DA REPRESSÃO EM “SOBREVIVIDOS”, DE LEILAH ASSUNÇÃO

Autores

  • Marcela Oliveira de Paula Ufes/Doutoranda

Palavras-chave:

“Sobrevividos” – Leilah Assunção; Feira brasileira de opinião; Ditadura militar brasileira; Teatro brasileiro.

Resumo

“Sobrevividos”, de Leilah Assunção, é a oitava peça da Feira brasileira de opinião, de 1978, volume composto por dez obras de importantes dramaturgos da época que foram impedidas de chegar ao palco pela censura. Na Feira, os temas são diversos, mas todos, de algum modo, tocam o cenário de repressão por que passou o Brasil a partir do Golpe de 1964. No caso de “Sobrevividos” dois elementos centrais são colocados em foco para lançar luz sobre o período, com nítido protagonismo das personagens femininas: a classe média e a mídia – principalmente a televisiva – em suas relações com a repressão ditatorial. Para o exame desses elementos do texto em pauta, o artigo se ocupa de [a] apresentar, em linhas gerais, a dramaturgia de Leilah Assunção e a posição da mulher no teatro brasileiro dos anos 1970, com apoio sobretudo em Vincenzo (1992); [b] traçar um panorama do contexto histórico-político da época, com especial atenção a seus desdobramentos no meio teatral, a partir de discussões de Michalski (1979) e Pontes Jr. (1999); e [c] construir uma leitura crítica da peça, enfocando principalmente questões relativas à classe média – em diálogo com Almeida e Weiss (1998) – e à mídia – a partir de estudo de Hamburguer (1998) – nos anos de repressão ditatorial.

Biografia do Autor

Marcela Oliveira de Paula, Ufes/Doutoranda

Doutoranda em Letras no Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Espírito Santo. 

E-mail: marceladepaulaa@hotmail.com

Referências

ALMEIDA, M. H. T. de; WEIS, L. Carro zero e pau-de-arara: o cotidiano da oposição de classe média ao regime militar. In: SCHWARCZ, L. M. (Org.). História da vida privada no Brasil: contrastes da intimidade contemporânea. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, v. 4, p. 319-409.
ANDRADE, A. L. V. de. Leilah Assunção: Quatro décadas de um teatro da mulher. In: ANDRADE, A. L. V. (Org.). A mulher e o teatro brasileiro do século XX. São Paulo: Hucitec, 2008, p. 394-398.
ASSUNÇÃO, L. Sobrevividos. In: ESCOBAR, C. H. et al. Feira Brasileira de Opinião. Organização de Ruth Escobar. São Paulo: Global, 1978, p. 175-202.
DUARTE, C. L. Feminismo e literatura no Brasil. Estudos Avançados. Vol. 17, n. 49, p. 151-172, dez. 2003.
ESCOBAR, R. Apresentação. In: ESCOBAR, C. H. et al. Feira Brasileira de Opinião. São Paulo: Global, 1978, p. 7-8.
GARCIA, S. A dramaturgia dos anos 1980/1990. In: FARIA, J. R. (Dir.). História do teatro brasileiro, v. 2: do modernismo às tendências contemporâneas. São Paulo: Perspectiva; Sesc-SP, 2013, p. 301-331.
HAMBURGUER, E. Diluindo fronteiras: a televisão e as novelas do cotidiano. In: SCHWARCZ, L. M. (org.). História da vida privada no Brasil: contrastes da intimidade contemporânea. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, v. 4, p. 439-488.
MICHALSKI, Yan. O palco amordaçado. Rio de Janeiro: Avenir, 1979.
PONTES JR., G. R. Dramaturgia brasileira contemporânea: uma retórica do impasse. Rio de Janeiro: Ágora da Ilha, 1999.
PRADO, Décio de Almeida. Prefácio em forma de peça. In: ESCOBAR, C. H. et al. Feira Brasileira de Opinião. São Paulo: Global, 1978, p. 09-24.
VINCENZO, E. C. de. Um teatro da mulher: dramaturgia feminina no palco brasileiro contemporâneo. São Paulo: Perspectiva, 1992.
WOOLF, V. Um teto todo seu. Tradução de Bia Nunes de Souza. 2ª. Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2004.

Downloads

Publicado

2021-06-05

Como Citar

Oliveira de Paula, M. (2021). CLASSE MÉDIA, MÍDIA E DITADURA: ASPECTOS DA REPRESSÃO EM “SOBREVIVIDOS”, DE LEILAH ASSUNÇÃO. Porto Das Letras, 7(3), 306–325. Recuperado de https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/portodasletras/article/view/11538

Edição

Seção

Literaturas de Língua Portuguesa e de Língua Inglesa, Cultura e Política