Maternidade, colonialidade e Literatura:

a experiência materna como categoria histórica em Maria Altamira (2020), de Maria José Silveira

Autores/as

  • Renata Tasoniero UNIOESTE https://orcid.org/0009-0005-2080-190X
  • Edilane Ferreira da Silva Universidade de Pernambuco – UPE
  • Luiza Helena Oliveira da Silva Universidade Federal do Norte do Tocantins - UFNT

DOI:

https://doi.org/10.20873.261004

Resumen

Neste artigo analisamos a maternidade como categoria histórica e política a partir do diálogo entre o romance Maria Altamira (2020), de Maria José Silveira, e produções teóricas decoloniais sobre maternidade e a colonialidade e seus desdobramentos na formação do leitor literário decolonial. Fundamentamo-nos especialmente nos textos de Lugones (2020), Barbosa (2025), Gonzaga; Mayorga (2019) e Fleck (2017, 2025). Partimos do pressuposto de que a maternidade, longe de constituir uma experiência universal, natural ou neutra, é produzida historicamente no interior do projeto moderno/colonial, operando como instrumento de controle, hierarquização e violência sobre os corpos femininos. A análise demonstra como o destino da personagem Alelí, mãe da protagonista Maria Altamira, encena literariamente a inviabilização de determinadas maternidades no contexto da colonialidade de gênero, convertendo a ausência materna em denúncia política e em gesto de resistência narrativa. A partir daí, tratamos de compreender como a experiência de leitura da obra desestabiliza naturalizações, reconfigura o horizonte de expectativas do leitor e fomenta a construção de um posicionamento crítico diante das narrativas hegemônicas – exatamente o que caracteriza a formação do leitor literário decolonial (Fleck, 2025). Dessa forma, nosso estudo se constitui em uma pesquisa qualitativa, centralizada na revisão bibliográfica interpretativa sobre o tema. Destacamos, como resultado, a potencialidade e a relevância da leitura dessa obra no processo de formação de um leitor literário rumo ao pensamento decolonial e à descolonização das mentes, das identidades e do imaginário latino-americanas.

Citas

BARBOSA, P. B. A maternidade e o lugar social das mulheres: uma perspectiva decolonial [livro eletrônico]. Belém: IFPA, 2025. Disponível em: https://proppg.ifpa.edu.br/documentos-e-formularios/editora-ifpa/2794-e-book-maternidade/file. Acesso em: 08 jan. 2026.

DUSSEL, E. Hacia una filosofía política crítica. Bilbao: Desclée de Brouwer, 2001. Disponível em: https://docs.enriquedussel.com/txt/Textos_Libros/53.Hacia_filosofia_politica_critica.pdf. Acesso em: 27 jan. 2026.

FLECK, G. F. O romance histórico contemporâneo de mediação: entre a tradição e o desconstrucionismo – releituras críticas da história pela ficção. Curitiba: CRV, 2017.

FLECK, G. F. Leituras de narrativas híbridas de História e ficção: A formação do leitor literário decolonial no Ensino Fundamental. In.: FLECK, Gilmei Francisco; CORBARI, Clarice Cristina (Orgs.). Narrativas híbridas de História e ficção infantis e juvenis brasileiras: leituras. Vol. I. São Carlos: Pedro & João Editores, 2023, p. 13-62. Disponível em: https://pedroejoaoeditores.com.br/produto/ narrativas-hibridas-de-historia-e-ficcao-infantis-e-juvenis-brasileiras-leituras/. Acesso em: 09 jan. 2026.

FLECK, G. F. A formação leitora na escola pública brasileira: dos desafios da Colônia aos impasses da era republicana. In: FLECK, Gilmei Francisco; CORBARI, Clarice Cristina (Org.). Narrativas híbridas de história e ficção infantis e juvenis brasileiras: leituras. Vol. II. São Carlos: Pedro & João Editores, 2024, p. 13- 51. Disponível em: https://pedroejoaoeditores.com.br/produto/narrativas-hibridas-de-historia-e-ficcao-infantis-e-juvenis-brasileiras-leituras-vol-ii/. Acesso em: 07 jan. 2026.

FLECK, G. F. A formação do leitor literário decolonial: vias à descolonização das mentes, das identidades e do imaginário na América Latina. 1. ed. – Campinas, SP: Pontes Editores, 2025.

FREIRE, L. M.; LIMA, J. S. de; SILVA, E. V. Belo Monte: fatos e impactos envolvidos na implantação da usina hidrelétrica na região Amazônica Paraense. Soc. Nat. Uberlândia, MG, v.30, n.3, p.18-41, 2018. ISSN 1982-4513

GALINDO, M. No se puede descolonizar sin despatriarcalizar: teoría y propuesta de la despatriarcalización. La Paz, Bolívia: Mujeres Creando, 2013.

GONZAGA, P. R. B.r; MAYORGA, C. Violências e Instituição Maternidade: uma Reflexão Feminista Decolonial. Psicologia: Ciência e Profissão, 39 (n.spe 2), 59-73. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1982-3703003225712

Acesso em: 20 jan. 2026.

GROSFOGUEL, R. Para descolonizar os estudos de economia política e os estudos pós-coloniais: transmodernidade, pensamento de fronteira e colonialidade global. Periferia, v. 1, n. 2, 2012. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/periferia/article/view/3428. Acesso em: 23 jan. 2026.

GROSFOGUEL, R.; MIGNOLO, W. Intervenciones Descoloniales: una breve introducción. Tabula Rasa, Bogotá, n. 9, p. 29-37, jul./dez. 2008. Disponível em: http://www.scielo.org.co/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1794-24892008000200003 Acesso em: 12 mar. 2024.

LUGONES, M. Colonialidade e gênero. In: HOLLANDA, Heloisa Buarque de (org.). Pensamento feminista hoje: perspectivas decoloniais. Rio de Janeiro: Bazar, 2020. p. 51-81. Disponível em: https://www.mpba.mp.br/sites/default/files/biblioteca/direitos-humanos/direitos-das-mulheres/obras_digitalizadas/heloisa-buarque-de-hollanda-pensamento-feminista-hoje_-perspectivas-decoloniais-bazar-do-tempo-_2020.pdf

Acesso em: 16 jan. 2026.

MIGNOLO, W. Colonialidade: o lado mais escuro da modernidade. Tradução de Marco Oliveira. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 32, n. 94, jun. 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbcsoc/a/nKwQNPrx5Zr3yrMjh7tCZVk/abstract/?lang=pt Acesso em: 03 jan. 2026.

MIGNOLO, W. Desobediência epistêmica: a opção descolonial e o significado de identidade em política. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2018.

QUIJANO, A. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgardo (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Buenos Aires: CLACSO, 2005. p. 107-130.

QUIJANO, A. Cuestiones y horizontes: de la dependencia histórico-estructural a la colonialidad/descolonialidad del poder. Buenos Aires: CLACSO, 2014.

SILVEIRA, M. J. Maria Altamira. São Paulo: Editora Instante, 2020.

Publicado

2026-08-13

Cómo citar

Tasoniero, R., Silva, E. F. da, & Silva, L. H. O. da. (2026). Maternidade, colonialidade e Literatura:: a experiência materna como categoria histórica em Maria Altamira (2020), de Maria José Silveira. Porto Das Letras, 12(1), 86–113. https://doi.org/10.20873.261004

Número

Sección

A Literatura como via de ressignificação do passado: diálogos entre o Pensamento Decolonial e os projetos estéticos/teóricos decoloniais