Maternidade, colonialidade e Literatura:
a experiência materna como categoria histórica em Maria Altamira (2020), de Maria José Silveira
DOI:
https://doi.org/10.20873.261004Abstract
Neste artigo analisamos a maternidade como categoria histórica e política a partir do diálogo entre o romance Maria Altamira (2020), de Maria José Silveira, e produções teóricas decoloniais sobre maternidade e a colonialidade e seus desdobramentos na formação do leitor literário decolonial. Fundamentamo-nos especialmente nos textos de Lugones (2020), Barbosa (2025), Gonzaga; Mayorga (2019) e Fleck (2017, 2025). Partimos do pressuposto de que a maternidade, longe de constituir uma experiência universal, natural ou neutra, é produzida historicamente no interior do projeto moderno/colonial, operando como instrumento de controle, hierarquização e violência sobre os corpos femininos. A análise demonstra como o destino da personagem Alelí, mãe da protagonista Maria Altamira, encena literariamente a inviabilização de determinadas maternidades no contexto da colonialidade de gênero, convertendo a ausência materna em denúncia política e em gesto de resistência narrativa. A partir daí, tratamos de compreender como a experiência de leitura da obra desestabiliza naturalizações, reconfigura o horizonte de expectativas do leitor e fomenta a construção de um posicionamento crítico diante das narrativas hegemônicas – exatamente o que caracteriza a formação do leitor literário decolonial (Fleck, 2025). Dessa forma, nosso estudo se constitui em uma pesquisa qualitativa, centralizada na revisão bibliográfica interpretativa sobre o tema. Destacamos, como resultado, a potencialidade e a relevância da leitura dessa obra no processo de formação de um leitor literário rumo ao pensamento decolonial e à descolonização das mentes, das identidades e do imaginário latino-americanas.
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