Uma Poética dos Rios
DOI:
https://doi.org/10.20873.26elit3Resumo
O artigo propõe a leitura do modo como se constitui uma poética dos rios em textos de
Mário de Andrade, Prisca Agustoni e Guilherme Gontijo Flores. Nessa poética será observada
uma dupla articulação: por um lado, sua referência a aspectos históricos ligados à relação
opositiva entre natureza e cultura e a compreensão do caráter dominado, extrativista e
antropocêntrico dessa distinção; por outro lado, sua metamorfose em componentes de uma
ecologia estranha, sobrenatural, que questiona os fundamentos filosóficos e científicos desse
mesmo antropocentrismo. A performação de diferentes tipos de subjetividade estará associada a
esse processo, percebido discursivamente no caráter excessivo e transbordante de sua
composição, no movimento anacrônico de sua sequencialidade, feita de repetições, rupturas e
recomeços, associada à recuperação da prosopopeia, ao hibridismo de gêneros, à encenação de
uma épica de restos e a uma compreensão molecular da relação entre a água e diferentes formas
de vida.
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