Uma Poética dos Rios
DOI:
https://doi.org/10.20873.26elit3Abstract
O artigo propõe a leitura do modo como se constitui uma poética dos rios em textos de
Mário de Andrade, Prisca Agustoni e Guilherme Gontijo Flores. Nessa poética será observada
uma dupla articulação: por um lado, sua referência a aspectos históricos ligados à relação
opositiva entre natureza e cultura e a compreensão do caráter dominado, extrativista e
antropocêntrico dessa distinção; por outro lado, sua metamorfose em componentes de uma
ecologia estranha, sobrenatural, que questiona os fundamentos filosóficos e científicos desse
mesmo antropocentrismo. A performação de diferentes tipos de subjetividade estará associada a
esse processo, percebido discursivamente no caráter excessivo e transbordante de sua
composição, no movimento anacrônico de sua sequencialidade, feita de repetições, rupturas e
recomeços, associada à recuperação da prosopopeia, ao hibridismo de gêneros, à encenação de
uma épica de restos e a uma compreensão molecular da relação entre a água e diferentes formas
de vida.
Literaturhinweise
AGAMBEN, G. Qué es lo contemporáneo?. Buenos Aires: Hidalgo, 2011.
ANDRADE, M. O movimento modernista. In: ANDRADE, M. Aspectos da literatura
brasileira. São Paulo: Martins, 1974.
ANDRADE, M. Lira paulistana. In: Poesias completas. São Paulo: Martins, 1972.
AGUSTONI, P. O gosto amargo dos metais. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2022.
AGUSTONI, P. A água conecta não só geograficamente, mas temporalmente. Entrevista
a Juliana Vaz. In: Humboldt. Revista do Instituto Goethe, on-line, s/d. Disponível em:
https://www.goethe.de/prj/hum/pt/dos/was/20240602.html. Acesso em 25 mar, 2026.
CANDIDO, A. Lembrança de Mario de Andrade. In: CANDIDO, Antonio. Brigada
Ligeira e outros escritos. São Paulo: EdUNESP, 1992.
CASTRO, A. Posnaturalezas poéticas: Pensamiento ecológico y políticas de la
estranheza em La poesia latinoamericana contemporânea. Boston: De Gruyter, 2025.
COCCIA, E. A vida das plantas. Uma metafísica da mistura. Trad. Fernando Scheibe.
Florianópolis: Cultura e Barbárie, 2018.
DERRIDA, J. O monolinguismo do outro ou a prótese de origem. Trad. Fernanda
Bernardo. Belo Horizonte: Chão da Feira, 2017.
ELIOT, T.S. Quatro quartetos. Trad. Ivan Junqueira. Rio de Janeiro: Civilização
Brasileira, 2004.
FORNS-BROGGI, R. La conciencia ecológica del poeta: hacia la descentralización de
la ciudad latinoamericana. Ponencia. XXI Congreso Internacional LASA, 1998.
Disponível em: http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/lasa98/Forns-Broggi.pdf.
Acesso em 25 mar, 2026.
FLORES, G. G.; ANDES, F. Entre costas duplicadas desce um rio. Belo Horizonte:
Ars et vita, 2022.
HORNE, L. Futuros menores: Filosofías del tiempo y arquitecturas del mundo desde
Brasil. Santiago: Ediciones Universidad Alberto Hurtado, 2022.
LAVELLE, P. Maternizar a outra língua: tradução, autotradução, criação poética. In:
Revista Alea, Vol. 23, N. 1, p. 179-199, 2021.
NODARI, A. A literatura como antropologia especulativa. Florianópolis: Cultura e
Barbárie, 2024.
RANCIÈRE, J. La imagen pensativa. In: RANCIÈRE, J. El espectador emancipado.
Trad. Ariel Dilon. Buenos Aires: Manantial, 2011.
SISCAR, M. Poesia e crise: ensaios sobre a “crise da poesia” como topos da
modernidade. Campinas: Editora Unicamp, 2010.
SOLAR, R. E. Del poema que se inunda, devastado: Raúl Zurita, dimensiones
ecológicas, aproximaciones ecocríticas y episteme urbanoambiental. Alea. Rio de
Janeiro, Edufrj, Vol. 23, N. 1, p. 84-100, 2021.
STERZI, E. Mário de Andrade e o apocalipse das imagens. Remate de males. Campinas,
EdUNICAMP, Vol. 39, N. 1, p. 246-264, 2019.
VALÉRY, P. “Le vent du nord”. In: VALÉRY, P. Poésie perdue. Paris, Gallimard, 2000.
Downloads
Veröffentlicht
Zitationsvorschlag
Ausgabe
Rubrik
Lizenz
Copyright (c) 2026 Porto das Letras

Dieses Werk steht unter der Lizenz Creative Commons Namensnennung 4.0 International.
Os autores concordam com os termos da Declaração de Direito Autoral, que se aplicará a esta submissão caso seja publicada nesta revista (comentários ao editor podem ser incluídos a seguir).