Uma Poética dos Rios

Autores/as

  • Celia Pedrosa UFF

DOI:

https://doi.org/10.20873.26elit3

Resumen

O artigo propõe a leitura do modo como se constitui uma poética dos rios em textos de

Mário de Andrade, Prisca Agustoni e Guilherme Gontijo Flores. Nessa poética será observada

uma dupla articulação: por um lado, sua referência a aspectos históricos ligados à relação

opositiva entre natureza e cultura e a compreensão do caráter dominado, extrativista e

antropocêntrico dessa distinção; por outro lado, sua metamorfose em componentes de uma

ecologia estranha, sobrenatural, que questiona os fundamentos filosóficos e científicos desse

mesmo antropocentrismo. A performação de diferentes tipos de subjetividade estará associada a

esse processo, percebido discursivamente no caráter excessivo e transbordante de sua

composição, no movimento anacrônico de sua sequencialidade, feita de repetições, rupturas e

recomeços, associada à recuperação da prosopopeia, ao hibridismo de gêneros, à encenação de

uma épica de restos e a uma compreensão molecular da relação entre a água e diferentes formas

de vida.

Biografía del autor/a

Celia Pedrosa, UFF

Doutora em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC - Rio). Professora em

regime de D.E. no programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Pesquisadora produtividade da CAPES e CNPq.

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Publicado

2026-06-14

Cómo citar

Pedrosa, C. (2026). Uma Poética dos Rios. Porto Das Letras, 12(Especial), 1–11. https://doi.org/10.20873.26elit3