Políticas Linguísticas e Educacionais no Contexto das Escolas Indígenas

Auteurs-es

  • Flávia Cristina Queiroz da Silva UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS
  • Maurício Alves da Silva Universidade Federal do Tocantins
  • Gustavo Kanõkrã Xerente

DOI :

https://doi.org/10.20873.2530006

Résumé

Este estudo realiza um levantamento dos principais documentos normativos nacionais e internacionais que orientam o direito à educação dos povos indígenas, com ênfase nos princípios da Educação Escolar Indígena. Analisa-se a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) à luz desses referenciais, buscando identificar como o documento atende aos fundamentos de especificidade, territorialidade, interculturalidade e bilinguismo/multilinguismo. A pesquisa de natureza qualitativa e documental, busca compreender o percurso dos documentos normativos até a BNCC e articular às experiências observadas no Centro de Ensino Médio Indígena Xerente Warã – CEMIX.  Explora a configuração da linguística aplicada como um campo teórico e prático voltado para a transformação social e para a construção de uma educação mais inclusiva e crítica. A Linguística Aplicada Crítica, conforme autores como Abreu (2020) Moita Lopes (2006), Faraco (2008), Rojo (2012), Rajagopalan (2003) e Pennycook (2010), contribuem para desnaturalizar os discursos de hegemonia linguística e propor práticas pedagógicas que reconheçam a multiplicidade de vozes presentes no espaço escolar. Ressalta-se que não se pretende esgotar a temática, mas oferecer uma reflexão crítica inicial que articula legislação, política curricular e vivência escolar, contribuindo para o debate sobre a efetividade dos direitos linguísticos e educacionais dos povos indígenas.

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Currículo escolar indígena: desafios e oportunidades | Nova Escola

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https://www.jusbrasil.com.br/artigos/neoconstitucionalismo/866003719 acesso18/01/2025

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Publié-e

2026-05-18

Comment citer

Queiroz da Silva, F. C. ., Alves da Silva , M., & Kanõkrã Xerente, G. (2026). Políticas Linguísticas e Educacionais no Contexto das Escolas Indígenas. Porto Das Letras, 11(3), 1–27. https://doi.org/10.20873.2530006