Nomear para permanecer: memória indígena e reinscrição do território urbano em Daniel Munduruku
DOI :
https://doi.org/10.20873.261021Résumé
Este artigo analisa Crônicas de São Paulo: um olhar indígena (2011), de Daniel Munduruku, a partir da relação entre nomeação, memória e território urbano. A leitura investiga como as crônicas reinscrevem a presença indígena na cidade por meio de rastros de memória coletiva, articulando caminhar, palavra e paisagem como práticas de pertencimento e leitura do espaço. Em diálogo com Graça Graúna (2013), compreende-se a escrita indígena como gesto de transmissão, resistência e reapropriação simbólica do urbano, no qual a cidade é relida como território vivido e narrável. Sustenta-se que, em Munduruku, os nomes, rios e percursos não operam como marcas residuais de um passado superado, mas como formas ativas de permanência ética e narrativa, capazes de confrontar os regimes modernos de apagamento histórico e cultural. Ao reinscrever a ancestralidade no cotidiano da metrópole, o texto evidencia como a literatura indígena contemporânea produz outras formas de habitar, lembrar e significar o espaço urbano.
Références
CLASTRES, Pierre. Arqueologia da violência: pesquisas de antropologia política. Tradução de Paulo Neves. São Paulo: Cosac Naify, 2004.GAGNEBIN, Jeanne Marie. Lembrar escrever esquecer. São Paulo: Editora 34, 2006.
GRAÚNA, Graça. Contrapontos da literatura indígena contemporânea no Brasil. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2013.
HAESBAERT, Rogério. O mito da desterritorialização: do “fim dos territórios” à multiterritorialidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004.
HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. Tradução de Laurent Lévy. São Paulo: Centauro, 2013.
KRENAK, Ailton. Encontros. Organização de Sergio Cohn. Rio de Janeiro: Azougue Editorial, 2015.
MUNDURUKU, Daniel. Crônicas de São Paulo: um olhar indígena. São Paulo: Callis, 2011.
MUNDURUKU, Daniel. Entrevista concedida ao documentário Muita terra para pouco índio. Direção de Bruno Villela e Sergio Lobato. Amazon Picture, 2018.
NORA, Pierre. Entre memória e história: a problemática dos lugares. Tradução de Yara Aun Khoury. Projeto História, São Paulo, n. 10, p. 7–28, 1993.
POTIGUARA, Eliane. Metade cara, metade máscara. São Paulo: Global Editora, 2008.
RAFFESTIN, Claude. Por uma geografia do poder. Tradução de Maria Cecília França. São Paulo: Ática, 1993.
SARMENTO-PANTOJA, Tânia. Fora da caixa: resistência como desvio. MOARA – Revista Eletrônica do Programa de Pós-Graduação em Letras, Belém, n. 61, p. 165–179, 2022.
WALTER, Roland. Prefácio. In: GRAÚNA, Graça. Contrapontos da literatura indígena contemporânea no Brasil. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2013. p. 9–15.
Téléchargements
Publié-e
Comment citer
Numéro
Rubrique
Licence
© Porto das Letras 2026

Cette œuvre est sous licence Creative Commons Attribution 4.0 International.
Os autores concordam com os termos da Declaração de Direito Autoral, que se aplicará a esta submissão caso seja publicada nesta revista (comentários ao editor podem ser incluídos a seguir).