RASTROS DE VIOLÊNCIA, LAMPEJOS DE MEMÓRIA: O TEOR TESTEMUNHAL NO CONTO DE CÉSAR FIGUEIREDO “NUM OLHAR, UM TALVEZ...”

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DOI:

https://doi.org/10.20873.2541

Resumen

Este artigo propõe uma reflexão teórico-analítica sobre o conceito de teor testemunhal como categoria hermenêutica aplicada à leitura de narrativas literárias que reelaboram experiências de violência, trauma e repressão política no contexto da ditadura civil-militar brasileira. Afasta-se de uma concepção restrita do testemunho como relato biográfico ou documental, compreendendo-o como uma operação textual e cultural inscrita nas estratégias de enunciação, nos procedimentos estéticos e nas escolhas ético-políticas da obra literária. O estudo fundamenta-se nas contribuições de Walter Benjamin (1987), especialmente na leitura da história “a contrapelo”, bem como nos estudos de Pollak (1989) sobre memória, trauma a partir de Selligmann-Silva (2022) e insuficiência representacional no ponto de vista de Goldmann (1970). Metodologicamente, adota-se uma abordagem qualitativa e interpretativa, baseada na análise textual e discursiva. Conclui-se que o teor testemunhal constitui um instrumento crítico para a leitura da literatura como espaço de memória, resistência e disputa simbólica frente às narrativas oficiais.

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Publicado

2026-03-14

Cómo citar

Costa Alves, J. P. (2026). RASTROS DE VIOLÊNCIA, LAMPEJOS DE MEMÓRIA: O TEOR TESTEMUNHAL NO CONTO DE CÉSAR FIGUEIREDO “NUM OLHAR, UM TALVEZ.”. Porto Das Letras, 11(4), 1–19. https://doi.org/10.20873.2541