IMAGINAÇÕES DISSIDENTES EM LA VISITA DE BOLÍVAR (2018):
UM DEBATE ENTRE LITERATURA, SOCIOLOGIA E HISTÓRIA
DOI:
https://doi.org/10.20873.261017Abstract
Neste artigo, propomos um debate na esteira da encruzilhada sobre as relações entre Literatura, História e Sociologia, articulando-as ao pensamento decolonial como estratégia crítica para a reinterpretação do passado da América Latina. Esse debate surge da seguinte inquietação: de que maneira a sociologia e a história podem contribuir para a análise literária e a formação do leitor literário decolonial? Partindo da concepção de que a Literatura figura como um espaço privilegiado de desobediência epistêmica, buscamos investigar como as narrativas ficcionais podem operar na desestabilização das ficções de poder e na formação de leitores literários decoloniais. Para auxiliar este percurso, recorremos aos postulados teóricos de Freire (2021), sobre a leitura crítica do mundo, bem como as discussões sobre letramento, silenciamento, desobediência epistêmica e ficções de poder formuladas, respectivamente, por Soares (2004), Kilomba (2019), Mignolo (2007) e Mombaça (2021). A partir desse referencial teórico, defendemos a constituição de uma encruzilhada produtiva entre Literatura, História, Sociologia e decolonialidade. Para tanto, tomamos como corpus de análise o novo romance histórico latino-americano La visita de Bolívar (2018), de Herbert Morote. Interessa-nos, neste estudo, demonstrar como os recursos literários podem operar como dispositivos de desobediência epistêmica, contribuindo para a desimaginação de narrativas coloniais estabilizadas. Com isso, o estudo evidencia a articulação entre imaginação sociológica e literária, abrindo espaço para outras memórias, vozes e interpretações do passado latino-americano.
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