Desviando a Rota: A Luta Antimanicolonial e a Descolonização da Psiquiatria no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.20873.25350Resumo
O presente artigo tem como objetivo, abordar de forma breve o percurso da luta antimanicolonial no Brasil, sendo compreendida como parte do movimento de descolonização do saber psiquiátrico brasileiro. A partir da noção de colonialidade do poder formulado por Aníbal Quijano e desenvolvida por Walter Mignolo. Abordando a psiquiatria como tecnologia de exclusão em diálogo com Michel Foucault, Franco Basaglia e Frantz Fanon. No contexto brasileiro através de autores como Jurandir Freire Costa e Lilia Schwarcz buscando evidenciar a articulação entre psiquiatria, higienismo e eugenia, através da atuação da Liga Brasileira de Higiene Mental. Tal estrutura pretendia corrigir os excessos deixados pelo fim da escravidão, e através do embranquecimento da população, a exclusão de minorias do projeto de Nação que de acordo com a elite, atrasavam o país, deixando os grandes centros cheios de degenerados. Conclui-se a Reforma Psiquiátrica Brasileira e os movimentos sociais constituíram um enfrentamento à colonialidade no campo da saúde mental. A luta antimanicolonial permanece como defesa e resistência diante do projeto orquestrado pelos europeus, que diante de nós, nos atravessa, nos organiza e dita até mesmo a forma como vemos o mundo.
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