A lágrima de um Caeté (1849)
a figuração indígena na obra de Nísia Floresta
DOI :
https://doi.org/10.20873.261026Résumé
O artigo propõe uma leitura crítica do poema A lágrima de um Caeté (1849), de Nísia Floresta, articulando-o ao contexto histórico e ideológico do século XIX e ao referencial teórico de Antonio Candido (1959, 1965), Darcy Ribeiro (1995), Simone Cristina Mendonça (2013), Lilia Schwarcz e Heloisa Starling (2018), Constância Lima Duarte (1997, 1999, 2017, 2022), Immanuel Wallerstein (2003) e Aníbal Quijano (2005). A análise demonstra que a autora potiguar rompe com a tradição indianista do romantismo brasileiro ao substituir a idealização do indígena por uma representação consciente, melancólica e crítica da colonização. A figura do Caeté, narrador e símbolo do vencido, denuncia as violências coloniais, o apagamento cultural e a hipocrisia civilizatória europeia, transformando-se em emblema da resistência e da memória histórica dos povos originários. Nesse sentido, a obra de Nísia Floresta antecipa uma perspectiva indigenista e decolonial, ao expor as contradições entre os ideais de liberdade e a prática de dominação que marcaram a formação nacional. Sua poesia, ao unir lirismo e crítica social, evidencia a literatura como forma de conhecimento e instrumento de denúncia, revelando a relevância de uma voz feminina e pioneira na construção de uma consciência histórica e estética brasileira.
Palavras-chave: Nísia Floresta; povos indígenas; colonialidade; literatura brasileira; século XIX.
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