Entre a Criação e o Abismo: Frankenstein e os Limites do Humano
DOI :
https://doi.org/10.20873.26elit8Résumé
Este artigo propõe uma leitura crítica de Frankenstein ou O Prometeu Moderno, de Mary Shelley, a partir das tensões em torno dos limites do humano em contextos de crise. A análise enfoca a figura do ser criado por Victor Frankenstein, com a junção de partes de diferentes cadáveres, como símbolo da criação moderna inconsequente e dissociada da responsabilidade ética, articulando a narrativa com perspectivas da ecocrítica e dos estudos decoloniais. Em diálogo com reflexões de Bruno Latour (2012) e Cormac McCarthy (2025), o artigo interpreta a criatura como metáfora dos efeitos catastróficos do desenvolvimento científico e tecnológico, do capitalismo, bem como dos processos históricos de desumanização de sujeitos marginalizados nas Américas. Argumenta-se que o romance antecipa debates contemporâneos do Antropoceno, ao problematizar as fronteiras entre humano e não humano e ao convocar a construção de uma ética baseada no reconhecimento da diferença e na responsabilidade coletiva com o planeta.
Références
HOGLE, Jerrold E. The Cambridge companion to gothic fiction. Cambridge:
Cambridge University Press, 2002.
KLINGER, Leslie S.. Foreword In: SHELLEY, Mary. The new annotated
Frankenstein. London: W. W. Norton, 2017. edição digital epub.
LATOUR, Bruno. Políticas da natureza: como fazer ciência na democracia. Tradução
de Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Edusc, 2012.
MELLOR, Anne K. Mary Shelley: her life, her fiction, her monsters. New York:
Routledge, 1988.
McCARTHY, Cormac. The collapse of modern imaginaries. New York: Vintage, 2025.
QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In:
LANDER, Edgardo (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais.
Buenos Aires: CLACSO, 2005.
SHELLEY, Mary. Frankenstein ou o Prometeu Moderno. Tradução de Adriana
Lisboa. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2017.
WALSH, Catherine. Interculturalidade, Estado, sociedade: lutas (de)coloniais de
nossa época. Quito: Universidad Andina Simón Bolívar; Abya-Yala, 2009.
Téléchargements
Publié-e
Comment citer
Numéro
Rubrique
Licence
© Porto das Letras 2026

Cette œuvre est sous licence Creative Commons Attribution 4.0 International.
Os autores concordam com os termos da Declaração de Direito Autoral, que se aplicará a esta submissão caso seja publicada nesta revista (comentários ao editor podem ser incluídos a seguir).