Entre a Criação e o Abismo: Frankenstein e os Limites do Humano
DOI:
https://doi.org/10.20873.26elit8Resumen
Este artigo propõe uma leitura crítica de Frankenstein ou O Prometeu Moderno, de Mary Shelley, a partir das tensões em torno dos limites do humano em contextos de crise. A análise enfoca a figura do ser criado por Victor Frankenstein, com a junção de partes de diferentes cadáveres, como símbolo da criação moderna inconsequente e dissociada da responsabilidade ética, articulando a narrativa com perspectivas da ecocrítica e dos estudos decoloniais. Em diálogo com reflexões de Bruno Latour (2012) e Cormac McCarthy (2025), o artigo interpreta a criatura como metáfora dos efeitos catastróficos do desenvolvimento científico e tecnológico, do capitalismo, bem como dos processos históricos de desumanização de sujeitos marginalizados nas Américas. Argumenta-se que o romance antecipa debates contemporâneos do Antropoceno, ao problematizar as fronteiras entre humano e não humano e ao convocar a construção de uma ética baseada no reconhecimento da diferença e na responsabilidade coletiva com o planeta.
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