Análise da condição social das empregadas domésticas na América Latina a partir de representações presentes nos contos Coro e Ali de María Fernanda Ampuero
DOI :
https://doi.org/10.20873.261028Résumé
Partindo da compreensão da literatura como espaço de produção e problematização das representações sociais, este artigo analisa a condição das empregadas domésticas na América Latina a partir das representações presentes nos contos Ali e Coro, da escritora equatoriana María Fernanda Ampuero. Inseridas em um contexto marcado pela herança colonialista, escravista e patriarcal, as personagens dos contos evidenciam estruturas de exploração atravessadas pelas intersecções de gênero, raça e classe. O trabalho doméstico exercido por elas além de historicamente associado a funções consideradas “naturais” ao feminino, recai majoritariamente sobre mulheres pobres e racializadas, o que contribui para a manutenção de suas representações como de atividades desvalorizadas, invisibilizadas e desconexas da noção de trabalho dignificante. Neste sentido, a figura da empregada doméstica emerge como uma reconfiguração, em tempo presente, da mulher escravizada no espaço privado da casa grande. A partir de aportes teóricos que mesclam perspectivas de áreas que dialogam com estudos sobre escravidão, literatura e colonialismo, a análise deste artigo organiza-se em quatro eixos temáticos: a índole e a natureza atribuídas às empregadas, as condições de trabalho, os processos de valoração e invisibilização e a construção da figura exótica. Dessa forma, o artigo evidencia que as condições de trabalho das empregadas domésticas, tanto nas narrativas analisadas quanto em nosso cotidiano, estão intrinsecamente ligadas à formação colonial de nossas sociedades, edificadas sobre o trabalho escravizado. Assim, propomos que essas reflexões contribuam para o debate sobre a condição socioeconômica dos sujeitos latino-americanos a partir de nossas próprias produções de conhecimento.
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