Políticas Públicas e Linguísticas Para os Povos Tradicionais Quilombolas

Autores/as

  • RAYZA DA SILVA Universidade Federal do Tocantins
  • Maurício Alves da Silva UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS - UFT

DOI:

https://doi.org/10.20873.25324

Resumen

Este texto visa dar visibilidade às comunidades quilombolas e suas demandas, reconhecendo que suas memórias, línguas e modo de existir foram por muito tempo negligenciados. Trata-se de uma pesquisa de natureza bibliográfica com análise crítica da literatura existente. O estudo das políticas linguísticas para os povos quilombolas reforça a importância da valorização das línguas tradicionais, um elemento essencial na construção da identidade e da preservação cultural dessas comunidades. No entanto, o reconhecimento formal das políticas linguísticas para as diversidades não se traduz em ações concretas que garantam sua efetivação e transmissão, conforme previto na legislação brasileira, que embora reconheçam direitos culturais e educacionais, políticas públicas específicas para a preservação linguística ainda são escassas.  Nesse sentido, conforme defende Adichie (2019), ao enfatizar sobre a pluralidade linguística e cultural na construção de sociedade mais inclusiva, é essencial considerar a forma como o poder influencia esse processo, determinando quais histórias são contadas e quais vozes são silenciadas. Documentos internacionais e pesquisadores como Alcalá (2010), Rodrigues (2024) e Modesto (2024) argumentam que a língua perpassa por relações de poder e a maneira como o português do Brasil ainda reflete uma visão eurocêntrica que minimiza a contribuição da cultura africana e indígena. Deste modo, o estudo enfatiza a necessidade de promover a diversidade linguística e fortalecer práticas que preservem a identidade cultural.

 

Palavras-chave: Diversidade linguística; Quilombos; Políticas linguísticas.

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Publicado

2026-02-26

Cómo citar

DA SILVA, R., & Alves da Silva, M. (2026). Políticas Públicas e Linguísticas Para os Povos Tradicionais Quilombolas. Porto Das Letras, 11(3), 1–10. https://doi.org/10.20873.25324