A LITERATURA NEGRA PARA INFÂNCIAS DE AUTORIA FEMININA COMO UMA EXPERIÊNCIA DE RESSIGNIFICAÇÃO ESTÉTICA DECOLONIAL

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.20873.261006

Resumen

Historicamente a literatura infantil, assim como as demais produções artístico-culturais socialmente valorizadas, contribuiu para fortalecer narrativas hegemônicas, pautadas na lógica colonial em que modos outros de ser, foram subalternizados. No Brasil, especialmente após a promulgação da Lei 10.639/2003, fruto da luta histórica do movimento negro, houve uma ampliação da criação e da circulação de produções literárias que assumem a valorização e o reconhecimento da diversidade étnico-racial como elementos potencializadores das obras, destacando-se o ecoar plural das vozes e das vivências de mulheres negras. Neste trabalho, buscamos evidenciar a literatura negra para infâncias de autoria feminina como uma experiência de ressignificação estética decolonial. Para tanto, analisamos “Betina”, obra de Nilma Lino Gomes, um marco literário no que se refere à valorização das estéticas negras. A partir da interlocução com o campo de estudos literários, sobre raça e gênero, e decoloniais destacamos aspectos relacionados à discursividade verbal e visual, numa perspectiva crítica à colonialidade do ser, do saber e do poder. A referida obra revela princípios éticos e estéticos da negritude, tendo como fio condutor a resistência, tecida a partir de elementos como memória, afeto e ancestralidade. Concluímos que a literatura de autoria negro-feminina se configura como uma potência insurgente de desobediência epistêmica, pautada em matrizes de pensamento em que existências invisibilizadas, como é o caso das mulheres negras,  assumem o protagonismo em relação à decolonialidade de identidades e saberes afrodiaspóricos. Contribuindo, assim, para a descolonização do campo literário das infâncias, rompendo com a lógica racista da outremização de pessoas negras.  

Biografía del autor/a

Patrícia Barros Soares Batista, Centro Pedagógico da UFMG

Professora do Centro Pedagógico da UFMG. Doutoranda em Educação pela UFMG.  Pesquisadora do Centro de Alfabetização, Leitura (Ceale/ FAE/ UFMG) e do Grupo de Literatura de Ancestralidade Negra (CNPq/PUCSP). Coordenadora do Grupo de Pesquisa e Extensão Áfricas e Eu.

Francisca Isabel Pereira Maciel, Universidade Federal de Minas Gerais

Professora Titular da Faculdade de Educação/UFMG. Integra o corpo docente da Pós-Graduação da Faculdade de Educação da UFMG e do PROMESTRE. Coordena o grupo de pesquisa Alfabetização no Brasil: o estado do conhecimento. Pesquisadora do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale/ FAE/ UFMG).

Elizabeth da Penha Cardoso, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Professora e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Literatura e Crítica Literária e do Programa de Pós-graduação Educação: Psicologia da Educação da PUC-SP (ambos doutorado e mestrado). Vice coordenadora do PPG Educação: Psicologia da Educação. Bolsista Produtividade CNPq. Líder do Grupo de Pesquisa Literatura de Ancestralidade Negra (CNPq/PUCSP). 

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Publicado

2026-08-13

Cómo citar

Barros Soares Batista, P., Pereira Maciel, F. I., & da Penha Cardoso, E. (2026). A LITERATURA NEGRA PARA INFÂNCIAS DE AUTORIA FEMININA COMO UMA EXPERIÊNCIA DE RESSIGNIFICAÇÃO ESTÉTICA DECOLONIAL . Porto Das Letras, 12(1), 124–148. https://doi.org/10.20873.261006

Número

Sección

A Literatura como via de ressignificação do passado: diálogos entre o Pensamento Decolonial e os projetos estéticos/teóricos decoloniais