A LITERATURA NEGRA PARA INFÂNCIAS DE AUTORIA FEMININA COMO UMA EXPERIÊNCIA DE RESSIGNIFICAÇÃO ESTÉTICA DECOLONIAL
DOI:
https://doi.org/10.20873.261006Abstract
Historicamente a literatura infantil, assim como as demais produções artístico-culturais socialmente valorizadas, contribuiu para fortalecer narrativas hegemônicas, pautadas na lógica colonial em que modos outros de ser, foram subalternizados. No Brasil, especialmente após a promulgação da Lei 10.639/2003, fruto da luta histórica do movimento negro, houve uma ampliação da criação e da circulação de produções literárias que assumem a valorização e o reconhecimento da diversidade étnico-racial como elementos potencializadores das obras, destacando-se o ecoar plural das vozes e das vivências de mulheres negras. Neste trabalho, buscamos evidenciar a literatura negra para infâncias de autoria feminina como uma experiência de ressignificação estética decolonial. Para tanto, analisamos “Betina”, obra de Nilma Lino Gomes, um marco literário no que se refere à valorização das estéticas negras. A partir da interlocução com o campo de estudos literários, sobre raça e gênero, e decoloniais destacamos aspectos relacionados à discursividade verbal e visual, numa perspectiva crítica à colonialidade do ser, do saber e do poder. A referida obra revela princípios éticos e estéticos da negritude, tendo como fio condutor a resistência, tecida a partir de elementos como memória, afeto e ancestralidade. Concluímos que a literatura de autoria negro-feminina se configura como uma potência insurgente de desobediência epistêmica, pautada em matrizes de pensamento em que existências invisibilizadas, como é o caso das mulheres negras, assumem o protagonismo em relação à decolonialidade de identidades e saberes afrodiaspóricos. Contribuindo, assim, para a descolonização do campo literário das infâncias, rompendo com a lógica racista da outremização de pessoas negras.
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