K: relato de uma busca, de B. Kucinski

representação da violência política na Ditadura Militar no Brasil

Autores/as

  • Amanda Mendes Pereira Universidade Federal do Mato Grosso
  • Deivanira Vasconcelos Soares Universidade Estadual do Tocantins (UNITINS) e Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (UEMASUL)

DOI:

https://doi.org/10.20873.261029

Resumen

Esta pesquisa investiga a representação das angústias e violências narradas em K: relato de uma busca (2016), de Bernardo Kucinski. O estudo analisa como o narrador constrói a experiência subjetiva de um pai impotente diante das forças da Ditadura Militar. A hipótese central é que esta construção narrativa, marcada por saltos temporais e pelo entrelaçamento de memórias pessoais com fato histórico, atua simultaneamente como um ato de resistência política e um processo de elaboração do luto. Esta proposta de pesquisa dialoga com pesquisadores da Literatura, da História e da Filosofia, tais como Seligmann-Silva (2003), Carlos Fico (2012) e Gagnebin (2006), pois suas contribuições são fundamentais para discutir as relações entre literatura, memória, trauma e a narrativa dos eventos históricos. Partimos da concepção de literatura como reorganização artística do real e no papel do testemunho para confrontar o “esquecimento coletivo”. O objetivo é compreender como este romance, ao transcender o relato factual, ressignifica o trauma individual e o vincula à memória coletiva, tornando-se um meio importante contra a repetição da violência de Estado. Concluímos que a estrutura não linear do romance, com seus constantes saltos temporais e a fusão entre memória, esperança e desespero, espelha a subjetividade de K. Além disso, a escolha de um narrador onisciente torna-se, além de um recurso estético, uma solução ética para narrar o trauma que a primeira pessoa, dentro da lógica do romance, não poderia suportar.

Biografía del autor/a

Deivanira Vasconcelos Soares, Universidade Estadual do Tocantins (UNITINS) e Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (UEMASUL)

Doutora em Letras - Estudos Literários pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Mestra em Letras, com área de concentração em Teoria da Literatura (2019), pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), campus de São Luís. Especialista em Metodologia do Ensino Superior (2016) pelo Instituto Nordeste de Educação Superior e Pós-Graduação (INESPO). Especialista em Literatura e Ensino (2023) pela (UEMA), Graduada em Letras/Literatura (2015) pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Membra do GELITI - Grupo de Estudos Literários e Imagéticos (UEMASUL), atuando nas seguintes linhas de pesquisa: 1) Estudos literários em diálogos com outros saberes; 2) Cinema e ensino. Membra do Núcleo Interdisciplinar de Estudos, Pesquisa e Extensão em Comunicação, Gêneros e Feminismos Maria Firmina dos Reis (UFMA). Professora do Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (UEMASUL). Professora da Universidade Estadual do Tocantins (UNITINS). Professora da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (UEMASUL). Pesquisadora em estruturação de Bibliotecas Escolares, projeto de incentivo à leitura e ensino de literatura.

Citas

ADORNO, T. Posições do narrador no romance contemporâneo In: Os Pensadores, São Paulo: Abril, 1980.

ARENDT, Hannah. Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal. Trad. José Rubens Siqueira. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política. 3 ed. São Paulo: Brasiliense, 1987.

BOBBIO, Norberto; MATTEUCCI, Nicola; PASQUINO, Gianfranco. Dicionário de política. Tradução de Carmen C. Varriale, Gaetano Lo Mônaco, João Ferreira, Luís Guerreiro Pinto Cacais e Renzo Dini. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1ª ed., 1998.

BOTOSO, Altamir. Romance histórico e pós-modernidade. Revista de Letras, v. 3, n. 1/2, 2010.

BRASIL. Ato Institucional n° 5, de 13 de dezembro de 1968. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 13 dez 1968. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ait/ait-05-68.htm. Acesso em: 28 mar. 2025.

CÂNDIDO, Antônio. Literatura e Sociedade. Disponível em: https://joaocamillopenna.wordpress.com/wp-content/uploads/2014/03/candido-literatura-e-sociedade-copy.pdf. Acesso em: 05 mar. 2025.

CNN BRASIL. 60 anos do golpe: Congresso precisa tirar da Constituição papel de árbitro de militares, diz historiador. CNN Brasil, 31 mar. 2024. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/60-anos-do-golpe-congresso-precisa-tirar-da-constituicao-papel-de-arbitro-de-militares-diz-historiador/. Acesso em: 13 abr. 2025.

COMISSÃO ESTADUAL DA VERDADE E MEMÓRIA DO PARÁ. Relatório Paulo Fonteles Filho. Organização: Angelina Anjos [et al.]. Belém, PA: Editora Pública Dalcídio Jurandir: Imprensa Oficial do Estado do Pará, 2022. v. 1.

CRUZ, Lua Gill da. Pretéritos futuros: ditadura militar na literatura do século XXI. 2021. 1 recurso online (322 p.) Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Estudos da Linguagem, Campinas, SP. Disponível em: https://hdl.handle.net/20.500.12733/1642099. Acesso em: 23 abr. 2025.

MELO, Demian Bezerra de. Ditadura “civil-militar”?: controvérsias historiográficas sobre o processo político brasileiro no pós-1964 e os desafios do tempo presente. Espaço plural, v. 13, n. 27, 2012.

DREIFUSS, René A. 1964, a conquista do Estado. Petrópolis: Vozes, 1981, p. 361.

FICO, Carlos. Versões e controvérsias sobre 1964 e a ditadura militar. Revista brasileira de história, v. 24, p. 29-60, 2004.

___________. História do Tempo Presente, eventos traumáticos e documentos sensíveis: o caso brasileiro. Varia história, v. 28, p. 43-59, 2012.

FLACH, Alessandra B.; GONÇALVES, Francisco S. Tópicos avançados da teoria literária . Porto Alegre: SAGAH, 2018. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595026483/. Acesso em: 05 nov. 2025.

GAGNEBIN, Jeanne Marie. Lembrar escrever esquecer. São Paulo: Editora 34, 2006.

GOTLIB, N. B. Teorias do Conto. 10 ed. São Paulo: Editora Ática, 2004.

HOLLANDA, Cristina Buarque de. Direitos humanos e democracia: a experiência das comissões da verdade no Brasil. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 33, 2018.

JAMESON, Fredric. O romance histórico ainda é possível? Novos estudos CEBRAP, p. 185-203, 2007.

JAPIASSÚ, Hilton; MARCONDES, Danilo. Dicionário básico de filosofia. 4 ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006.

KUCINSKI, Bernardo. K: relato de uma busca. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.

____________. O congresso dos desaparecidos. 1 ed. São Paulo: Alameda, 2023.

MARINHO, Maria de Fátima. Romance histórico. In: Dicionário de historiadores portugueses da Academia Real das ciências ao final do Estado Novo, 2021.

MONTEIRO, Millena Fontoura. Justiça de Transição no Brasil pós-ditadura civil-militar de 1964–1985: a importância das leis 9.140/1995 e 10.559/2002 para a implementação de políticas de reparação. Anuario Latinoamericano–Ciencias Políticas y Relaciones Internacionales, v. 8, p. 321-332, 2020.

NEVES, João. São João do Araguaia: sua história, sua gente. 2. ed. Goiânia: Editora Visão, 2022.

PERRONE-MOISÉS, Leyla. Literatura engajada. Revista Criação & Crítica , n. 35, pág. 370-383, 2023.

SELIGMANN-SILVA, Márcio, org. História, memória, literatura. Campinas: Ed. Unicamp, 2003.

SOUSA, Valdo Rosário. Do “Centu de Ogusto” a Augustinópolis: uma história contada e ouvida por você. Vol. 1. Goiânia: Kelps, 2024.

TACCA, Oscar. As vozes do romance. Trad. Margarida Coutinho Gouveia. Coimbra: Almedina, 1978.

TENAGLIA, Monica; DOS SANTOS CARVALHO, Carla Jéssica. Os testemunhos dos Aikewara nas investigações da Comissão Estadual da Memória e Verdade do Pará. Revista NUPEM, v. 16, n. 38, 2024.

Publicado

2026-08-13

Cómo citar

Mendes Pereira, A., & Vasconcelos Soares, D. (2026). K: relato de uma busca, de B. Kucinski: representação da violência política na Ditadura Militar no Brasil. Porto Das Letras, 12(1), 632–659. https://doi.org/10.20873.261029

Número

Sección

A Literatura como via de ressignificação do passado: diálogos entre o Pensamento Decolonial e os projetos estéticos/teóricos decoloniais