A Literatura Indígena como via de Ressignificação do Passado: narrativas de resistência, entre-lugar e pensamento fronteiriço na América Latina
DOI:
https://doi.org/10.20873.261005Resumo
Este artigo analisa a literatura indígena contemporânea como espaço privilegiado de ressignificação do passado histórico e de enfrentamento às narrativas hegemônicas da colonialidade na América Latina. Parte-se da compreensão de que a historiografia oficial, estruturada sob uma lógica eurocêntrica, produziu silenciamentos sistemáticos dos povos originários, reduzindo suas experiências, saberes e memórias a posições marginais. Nesse contexto, a literatura indígena emerge como prática estética, política e epistêmica que reivindica o direito à autoinscrição histórica e à produção de sentidos outros sobre o passado colonial. O objetivo central é analisar a obra A queda do céu: palavras de um xamã yanomami, de Davi Kopenawa e Bruce Albert, compreendendo-a como produção do “entre-lugar” (Santiago, 2000) e como manifestação do “pensamento fronteiriço” (Mignolo, 2000). Metodologicamente, adota-se uma abordagem qualitativa, de caráter bibliográfico e interpretativo, articulando a análise literária da obra com a revisão teórica do Pensamento Decolonial, a partir de autores como Quijano, Dussel, Mignolo, Walsh, Grosfoguel e Santiago. Argumenta-se que a narrativa indígena analisada opera como forma de desobediência epistêmica, ao confrontar a colonialidade do saber, do poder e do ser, reposicionando os povos indígenas como sujeitos históricos e produtores legítimos de conhecimento. Conclui-se que a literatura indígena não apenas ressignifica o passado, mas também projeta horizontes ético-políticos para a descolonização da memória, do imaginário e das epistemologias latino-americanas.
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