Sobre o caráter performático do relato dos sonhos na clínica psicanalítica
DOI:
https://doi.org/10.20873/rpv11n1-51Palavras-chave:
Sonhos, neurociência, narrativa, Freud, psicanáliseResumo
O objetivo do meu artigo consiste, por um lado, em propor uma espécie de austeridade conceitual em relação à interpretação dos sonhos de Freud, no intuito de evitar que a psicanálise esteja sujeita a algumas das críticas de neurociência. Por outro, tenciono mostrar que uma estratégia promissora, pelo menos do ponto de vista da clínica psicanalítica, quanto à compreensão dos sonhos é recuperar no seu caráter desordenado possibilidades de construção de narrativas alternativas àquelas que foram cristalizados fantasmaticamente como única imagem de nós mesmos. Assim, tenciono concluir que para a clínica a natureza dos sonhos, a sua dinâmica e seu posterior esquecimento, é menos importante do que o leque de possibilidades narrativas que ele nos abre pelo seu próprio caráter desordenado.
Referências
Bezerra, B. C.. (2010) Neurociências e psicanálise: definindo discordâncias para construir o diálogo. Revista da Associação Psicanalítica de Porto Alegre, v. 38, 145-159.
Cheniaux, E. (2006) Os sonhos: integrando as visões psicanalíticas e neurocientífica Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul Print. 28(2). 145-159.
Frayze-Pereira , J. A. (1999). Entre os sonhos e a interpretação: aparelho psíquico/ aparelho simbólico. Psicologia USP 10(1), 199-223.
Freud, S. (2010) Além do princípio do prazer. In S. Freud, Edição das obras completas de Freud (P. Souza, trad., vol 12, pp.90-150). São Paulo: Companhia das Letras, (Trabalho original publicado em 1920).
Freud, S. (2010) Interpretação dos sonhos. In S. Freud, Edição das obras completas de Freud (P. Souza, trad., vol 12, pp.90-150). São Paulo: Companhia das Letras, (Trabalho original publicado em 1900).
Hobson, J.A. (2009). "REM sleep and dreaming: towards a theory of protoconsciousness". Nature Reviews 10 (11), 803–813.
Jouvet, M. (1980). Paradoxical sleep and the nature-nurture controversy. Progress in Brain Research 53, 331–46.
Laurance, E. Lost in cognition: Psychoanalysis and Congitive Science. London: Karnac, 2014.
Mezan, Renato. (2007) Que tipo de ciência é a Psicanálise?. Natureza Humana. 2 (4), p. 319-358.
Ogden, T. H. (2007) On Talking-as-dreaming. International Journal of Psychoanalysis, 88, 575-89.
Ogden, T. H. (2013) Reverie e interpretação: captando algo humano. Trad. T. N. Zalcberg. São Paulo: Escuta.
Prata, T. A. Irredutibilidade ontológica versus identidade: John Searle entre o dualismo e o materialismo. In O que nos faz pensar. N.25 2009.
Revonsuo, A. (2000) The reinterpretation of dreams: an evolutionary hypothesis of the function of dreaming. Behav Brain Sci., 23(6), 877-901
Searle, J. The rediscovery of the mind. Cambridge Mass., Londres: MIT Press, 1992.
Searle, J. Mind: a brief introduction. Oxford: Oxford University Press, 2004.
Solms, M (2000) Dreaming and REM sleep are controlled by different brain mechanisms. 23 (6), 843-850.
Soussumi, Y (2006). Tentativa de integração entre algumas concepções básicas da psicanálise e da neurociência. Psicol. clin. 18 (1), 63-82.
Stickgold R, Hobson JA, Fosse R, Fosse M. (2001) Sleep, learning, and dreams: off-line memory reprocessing. Science.; 294(5544), 1052-7.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Érico Andrade

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Os autores que publicam com esta revista concordam com os seguintes termos:
1. Autores mantêm os direitos concedidos à revista ou o direito de primeira publicação com o trabalho licenciado à Atribuição de Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0) que permite o compartilhamento de trabalhos com reconhecimento de autoria e publicação inical nesta revista.
2. Autores têm permissão para aceitar contratos, distribuição não exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (por exemplo, publicarem em repositório institucional ou como capítulo de livro) com reconhecimento de autoria e de publicação inicial nesta revista.
3. Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir o seu trabalho on-line (por exemplo, em repositório institucional ou em sua página pessoal) com as devidas referências à revista.














