O MODELO DE LETRAMENTO NO MANUAL DO ALFABETIZADOR DO MOBRAL
UMA ANÁLISE DAS ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS PARA O TRABALHO COM A LEITURA E ESCRITA
DOI :
https://doi.org/10.20873/asel.v34iEspecial.23090Mots-clés :
Letramento, escrita, Letramento crítico. Dialogicidade. Ensino de Língua Portuguesa. Prática social. Transformação.Résumé
Os estudos sobre letramento no Brasil, consolidados a partir da década de 1980, põem em discussão que não basta adquirir a tecnologia do ler e escrever, sendo necessário envolver-se nas práticas sociais de leitura e escrita, com habilidades e competências específicas. Desse modo, o letramento passa a assumir uma dimensão ideológica, não podendo ser considerado neutro. Assim, este artigo fundamenta-se na distinção teórica entre o "modelo autônomo" de letramento, que concebe a escrita como uma habilidade neutra e técnica, e o "modelo ideológico", que a entende como uma prática social indissociável dos contextos culturais e das relações de poder. A partir desse aporte teórico, ancorado nas contribuições de Street (2014), Kleiman (1995) e Soares (2009), o objetivo deste trabalho é investigar o modelo de letramento subjacente ao Manual do Alfabetizador do MOBRAL. Por meio de uma discussão teórica sobre os estudos do letramento e análise documental de natureza qualitativa, examina-se as orientações pedagógicas para o trabalho com a leitura e escrita propostas pelo material didático destinado ao alfabetizador. Os resultados indicam que o modelo autônomo de letramento fundamentou o programa de alfabetização funcional do governo militar. Conclui-se que os aspectos cognitivos do aprendizado da escrita, alcançados pelo modelo autônomo de letramento, não devem ser negados, mas compreendidos em relação às estruturas culturais e de poder que o contexto de aprendizagem representa.
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