Quando a Última Árvore Cai: Um Debruçar sobre Não Verás País Nenhum
DOI:
https://doi.org/10.20873.26elit4Abstract
O ensaio explora o romance Não verás país nenhum, de Ignácio de Loyola Brandão, sob a ótica das Humanidades Energéticas e da ecocrítica, analisando a representação do colapso ambiental e simbólico em um Brasil distópico após o corte da última árvore. A partir da ideia de atmosfera mefítica, apresentada nessa ficção distópica, examina como a devastação ecológica e a crise das atmosferas vitais se tornam núcleo existencial tanto da narrativa quanto da experiência dos personagens. Aborda-se, também, a aceleração do consumo de recursos naturais, a ruptura dos pactos ancestrais com a natureza e o luto civilizatório causado pela degradação ambiental. Enfatiza que a literatura, longe de ser mero espelho ficcional, funciona como sensor e dispositivo crítico diante do colapso, abrindo espaço para reflexão sobre os limites da esperança e o papel do contradiscurso ecológico. Ademais, na reflexão ensaística, há uma incorporação voltada às perspectivas históricas, filosóficas e sociais, evidenciando como a obra de Brandão tensiona o leitor entre a ambiguidade do fim e a persistência da resistência simbólica, propondo uma ética poética diante da incerteza do futuro.
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