Mia Couto: o futuro do passado, em Terra Sonâmbula
DOI:
https://doi.org/10.20873.25411Resumo
Resumo: o que visámos, na nossa leitura do romance de Mia Couto, foi trazer à luz a lógica derrideana do suplemento, não apenas nos conceitos de leitura e de (re)escrita que aí emergem, mas também na noção freudiana de Nachträglichkeit, que implica uma diferente conceção do tempo: a de um retroativo a posteriori, pelo qual o passado se ressignifica. Ligámo-los, assim, à construção temporal da subjetividade plural e multiestratificada, própria a várias personagens do romance, na sua luta pela sobrevivência. Diferentes textos de Jacques Derrida nos ajudaram a isso: «Freud et la scène de l’écriture», «Dialangues», «La différance», «Signature événement con-texte», «Ce dangereux supplément...» ou «Envois» – sobre a memória do sujeito e a adestinação da escrita; e ainda de Freud: «A criação literária e o sonho acordado», as cartas a W. Fliess ou L’inter-prétation du rêve, sobre as questões da fantasia, do sonho ou da elaboração secundária.
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