O “entre-lugar” de Silviano Santiago em uma leitura decolonial de Corações Migrantes, de Marise Condé
DOI :
https://doi.org/10.20873.261007Résumé
O romance Corações migrantes (2002), da escritora Maryse Condé, apresenta determinadas características da literatura considerada decolonial, sobretudo ao problematizar identidades, deslocamentos e heranças coloniais. Pretende-se, neste artigo, dissertar sobre essas características, utilizando-se, para isso, a teoria de Silviano Santiago, presente no ensaio “Uma literatura nos trópicos”. Nesse percurso, tomar-se-á o conceito de “entre-lugar” do crítico para traçar o caminho estético e político percorrido pela referida autora na elaboração de sua escrita que se apropria do modelo do colonizador para subvertê-lo criticamente. Contudo, tal tarefa não constitui em algo simples, uma vez que críticas são dirigidas ao modelo de uso de formas canônicas, com acusações de mera usurpação sem ineditismo, que, no entanto, tendem a ser dirimidas no ensaio de Silviano Santiago, no debate decolonial e no presente artigo, demonstrando que essa apropriação configura um gesto crítico produtivo e que, por isso, Corações Migrantes inscreve-se no “entre-lugar” como espaço de resistência simbólica.
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