LITERATURA E REPRESENTAÇÃO

OS REGIMES DISCURSIVOS DO SÉCULO XX NOS ROMANCES DE JORGE AMADO

Autores/as

  • José Otávio Monteiro Badaró Santos Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB)

DOI:

https://doi.org/10.20873.261016

Resumen

O presente trabalho propõe uma via de interpretação para os textos da primeira fase da produção romanesca de Jorge Amado, a partir da noção da literatura como representação, discurso de estatuto próprio que se refere a outros regimes discursivos, sejam eles políticos, econômicos, sociais, filosóficos e religiosos. Discurso que não pode ser apenas ficção de reflexo sociológico, mas representação que carrega elementos simbólicos, validados por complexos sistemas de verdade atravessados por teorias sociais, regramentos poéticos e visões cosmológicas. Um tipo de ficção que não é somente a expressão, ou mesmo imitação, de alguma coisa fora dela, mas uma inovação do próprio mundo natural, porque o incrementa com novos elementos, construindo, assim, uma nova “realidade”. Deste modo, ao nosso ver, há pelo menos três regimes discursivos específicos operando na literatura deste autor. Ainda que diversos, muitas das vezes conflitantes e contraditórios, eles são articulados pelo escritor consciente e inconscientemente. São valores que estão na construção de personagens, em seus diálogos, na criação do mundo amadiano, na Bahia simbólica que ele edifica, na visão messiânica da certeza de um futuro melhor, na esperança da revolução, na ideia quase ingênua da comunhão de raças, de credos e de culturas. A leitura dos romances amadianos, objetos desse estudo, nos revela uma inusitada combinação de realismo social soviético, mestiçagem freyriana e poética do romantismo alemão.

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Publicado

2026-08-13

Cómo citar

Monteiro Badaró Santos, J. O. (2026). LITERATURA E REPRESENTAÇÃO: OS REGIMES DISCURSIVOS DO SÉCULO XX NOS ROMANCES DE JORGE AMADO. Porto Das Letras, 12(1), 341–371. https://doi.org/10.20873.261016

Número

Sección

A Literatura como via de ressignificação do passado: diálogos entre o Pensamento Decolonial e os projetos estéticos/teóricos decoloniais