CANUDOS ALÉM DO LIVRO DIDÁTICO:
LITERATURA, HISTÓRIA E PRÁTICAS DE LEITURA DECOLONIAIS A PARTIR DE CIDADELA DE DEUS – A SAGA DE CANUDOS
DOI:
https://doi.org/10.20873.261010Resumo
Neste artigo analisamos a obra Cidadela de Deus – a saga de Canudos ([1996] 2003), de Gilberto Martins, a partir do enfoque das escritas híbridas de História e ficção críticas, investigando suas contribuições para a formação do leitor literário sob uma perspectiva decolonial. A pesquisa fundamenta-se em pressupostos teóricos que problematizam a colonialidade do poder, a hegemonia da História oficializada e os silenciamentos impostos às populações sertanejas no contexto da Guerra de Canudos (1896–1897). Metodologicamente, trata-se de um estudo qualitativo de natureza bibliográfica e analítica, centrado na leitura crítica da narrativa e na articulação entre elementos ficcionais e dados historiográficos. A análise evidencia que a trajetória da personagem ficcional Antônio Dantas, construída de forma metonímica, possibilita a emergência de múltiplas vozes e perspectivas historicamente marginalizadas, rompendo com discursos unívocos e estigmatizantes presentes em materiais didáticos tradicionais. Observa-se que estratégias narrativas como a polifonia, a alternância do foco narrativo e a linearidade cronológica favorecem a ressignificação do passado histórico e estimulam práticas de leitura críticas e reflexivas. Conclui-se que a obra de Gilberto Martins (1996) se configura como um dispositivo literário-pedagógico relevante para o contexto escolar, especialmente nos Anos Finais do Ensino Fundamental, ao promover uma leitura decolonial da Guerra de Canudos (1896-1897) e contribuir para a formação de leitores capazes de reconhecer a complexidade histórica, social e política do conflito, bem como os mecanismos de apagamento e exclusão produzidos pela colonialidade.
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