Masculinidades Negras e Paternidade em Becos da Memória, de Conceição Evaristo
DOI:
https://doi.org/10.20873.261020Resumo
Historicamente, os homens negros têm sido representados de forma estereotipada e desumanizadora, tanto na mídia quanto na literatura. Imagens que os retratam como ausentes, irresponsáveis ou violentos acabam influenciando a percepção coletiva sobre suas capacidades de serem pais presentes e afetivos. Há, entretanto, um movimento crescente de resistência contra essas narrativas, em que homens negros ressignificam as masculinidades e as paternidades que os rodeiam. Na literatura, especialmente na contemporânea, é possível identificar obras que trazem à tona essas discussões. Escritores como Conceição Evaristo têm incluído em seus trabalhos narrativas que desconstroem os paradigmas sobre a masculinidade negra e destacam a importância da paternidade e do afeto como atos de resistência. A proposta deste trabalho é fazer uma leitura do romance Becos da Memória, escrito nos anos 1980 por Conceição Evaristo e publicado apenas em 2006, a partir das figuras paternas, principalmente a de Tio Totó e, assim, refletir sobre essas representações e as influências da escravidão no exercício da paternidade.
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