Para além da crise capitalista da ciência: o sublime ecofeminista de To Be Taught If Fortunate (2019), de Becky Chambers
DOI:
https://doi.org/10.20873.26elit7Resumo
O capitalismo financeirizado representa uma crise importante no fazer científico do Antropoceno, a qual é evidenciada pela captura de seus fins pelo imperativo da acumulação e pela financeirização da natureza. Nesse contexto, a novela To Be Taught If Fortunate (2019), de Becky Chambers, é uma exploração ficcional de epistemologias alternativas, em que a ciência se desloca de uma prática extrativista para um gesto ético e sensível de cuidado e observação. A narrativa acompanha a tripulação da missão Lawki 6, organizada pela Open Cluster Astronautics, em seu levantamento de ecossistemas alienígenas, destacando a centralidade da experiência relacional, da empatia e da responsabilidade diante da alteridade. Ao apresentar esta alternativa para uma ciência pós-crise capitalista, Chambers permite repensar a produção de conhecimento no Antropoceno, oferecendo uma ficção científica que questiona práticas extrativistas, instrumentalização da natureza e a centralidade do lucro na definição do que conta como fazer ciência. Este artigo, portanto, busca demonstrar como To Be Taught If Fortunate articula as possibilidades e desafios de um sublime ecofeminista para a ciência, deslocando sublime da fantasia de dominação para uma valorização da vulnerabilidade e da interdependência, e propondo uma ciência que permanece com o problema de viver com o Outro sem torná-lo Mesmo.
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