O Avanço do Extermínio do Conhecimento Tradicional: Impactos e Urgência do Resgate Epistemológico
DOI:
https://doi.org/10.20873.26elit13Resumo
Diante de uma longa trajetória de políticas de negação e apagamento da cultura, dos saberes e das formas de se relacionar com o mundo herdadas dos povos escravizados no Brasil, é urgente refletir sobre a necessidade de resgatar esses conhecimentos. Durante séculos, práticas artísticas, espirituais e modos de conviver com a natureza foram marginalizados, quando, na verdade, representam pilares fundamentais para a formação cultural e para a manutenção da vida em equilíbrio com o meio ambiente. Vivemos hoje no Antropoceno, período histórico marcado pelo caos ambiental e pela ameaça concreta de colapso planetário, resultado de uma relação predatória entre seres humanos e natureza. Nesse contexto, o resgate das práticas tradicionais, especialmente as de matriz africana, não deve ser visto apenas como preservação cultural, mas como um caminho estratégico para unir saberes ancestrais e científicos em favor da sobrevivência coletiva. Essa retomada possibilita compreender o mundo sob uma ótica de respeito, sacralidade e reciprocidade, que reconhece a interdependência entre todos os seres vivos. Valorizar tais conhecimentos significa ampliar horizontes, repensar modelos de desenvolvimento e construir alternativas mais justas e sustentáveis. Assim, a preservação do planeta depende, em grande parte, da capacidade de ouvir, integrar e praticar a sabedoria legada por esses povos.
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