A REANTROPOFAGIA COMO CRÍTICA E SUBVERSÃO DOS DISPOSITIVOS ESTÉTICOS DA COLONIALIDADE
DOI:
https://doi.org/10.20873.261030Resumo
Este artigo propõe uma leitura do poema ReAntropofagia (2022), de Denilson Baniwa, destacando-o como um ponto de compreensão para o pensamento e técnica do autor, em sua crítica aos dispositivos estéticos da colonialidade. Para isso, recorremos principalmente à sua obra – Re-Antropofagia (2019a); O antropólogo moderno já nasceu antigo (2019b); Ficções Coloniais (ou, finjam que eu não estou aqui) (2021). Explora-se a relação com Mário de Andrade no gesto de ReAntropofagia, como koada, e as definições dadas pela arte indígena contemporânea. Destaca-se como os elementos recorrentes de sua produção atuam como uma crítica à colonialidade, pela apropriação e subversão desses dispositivos na releitura da história, em diálogo com outros de seus leitores (GOLDSTAIN, 2021; ROCHA, 2021; DE OLIVEIRA, 2022). Sugere-se que tais elementos podem constituir uma teoria da montagem, própria do pensamento e da arte indígena contemporânea. Com isso há diálogo com a teoria crítica e decolonial (Quijano, 2007; MIGNOLO, 2017; DIDI-HUBERMAN, 2018; SELIGMANN-SILVA, 2022).
Referências
ANDRADE, Mário de. A superstição da cor preta. Revista Apotheke, v. 7, n. 1, 2022.
ANDRADE, Oswald de. Manifesto Antropófago. Revista de Antropofagia – Revistas do Modernismo 1922-1929. Ano 1, número 1. Edição fac-símile. Organização de Pedro Puntoni e Samuel Titan Jr. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo; BobliotecaBiblioteca José MindimMindlin, 2014.
BANIWA, Denilson. Re-Antropofagia, Denilson Baniwa, de 2019a, pintura mista, 100 x 120cm.
BANIWA, Denilson. O Antropólogo moderno já nasceu antigo. Desenho e colagem sobre impressão, 24x 35 cm, 2019b. Disponível em: https://www.pipaprize.com/denilson-baniwa/27denilson-baniwa/.
BANIWA, Denilson. Ficções coloniais (ou finjam que eu não estou aqui). Portfolio do Artista. Behance. 2021. Disponível em: https://www.behance.net/denilsonbaniwa.
BANIWA, Denilson. ReAntropofagia. Revista Concinnitas, v. 23, n. 44, p. 32-34, 2022.
BANIWA, Denilson. Pax Mongolica: ou sobre a estabilidade pelo domínio do outro. Mesa 11: Artes indígenas: apropriação e apagamento” Ciclo 1922: modernismos em debate. Pinacoteca de São Paulo, MAC - USP e IMS (2021). Disponível em: https://www.youtube.com/live/J-E8rfXjqoY?si=6cnY7haIBehj9D7c.
BENJAMIN, Walter. Sobre o conceito de história. Organização e tradução de Adalberto Müller e Márcio Seligmann-Silva. 1ªed. São Paulo: Alameda, 2020.
CAMARGO, Oswaldo de. Negro Drama: ao redor da cor duvidosa de Mário de Andrade. São Paulo: ciclo Contínuo Editorial, 2018.
DE OLIVEIRA, Eduardo Jorge. A fábrica do selvagem e o choque das imaginações: uma leitura pós-etnográfica da obra de Denilson Baniwa. Quaderni Culturali IILA, v. 4, n. 4, p. 41-51, 2022.
DIDI-HUBERMAN, Georges. Atlas ou o gaio saber inquieto: o olho da história III. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2018.
ESBELL, Jaider. Makunaimã, o meu avô em mim. In Iluminuras, Porto Alegre, v. 19, n. 46, p. 11-39, jan/jul, 2018.
GOLDSTEIN, Ilana. Antropofagias contemporâneas: as artes indígenas e o modernismo brasileiro. Cultura em casa. 22 dez. 2021.
KOCH-GRÜNBERG, Theodor. Vom Roroima zum Orinoco. Dritter Band. Ethnographie. Stuttgart: Strecker u. Schröder, 1923. Disponível em: https://digital.bbm.usp.br/simple-search?location=%2F&query=Vom+Roraima+zum+Orinoco&rpp=10&sort_by=score&order=desc
SELIGMANN-SILVA, Márcio. A virada testemunhal e decolonial do saber histórico. Campinas – SP: Editora da Unicamp, 2022.
SELIGMANN-SILVA, Márcio. Decolonial, des-outrização: imaginando uma política pós-nacional e instituidora de novas subjetividades. In: DUARTE, Luisa. 21a Bienal de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil: Comunidades imaginadas: Leituras. São Paulo: Sesc: Associação Cultural Videobrasil, p. 20-44, 2019.
MIGNOLO, Walter D. Colonialidade: o lado mais escuro da modernidade. Revista brasileira de ciências sociais, v 32, 2017.
NICHANIAN, Marc. The Historiographic perversion. New York, Columbia Press, 2009.
QUIJANO, Aníbal. Coloniality and modernity/rationality. Cultural studies, v. 21, n. 2-3, p. 168-178, 2007.
ROCHA, Marcelo Garcia. Arte indígena contemporânea por Denilson Baniwa. Rotura–Revista de Comunicação, Cultura e Artes, n. 2, p. 93-97, 2021.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Porto das Letras

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Os autores concordam com os termos da Declaração de Direito Autoral, que se aplicará a esta submissão caso seja publicada nesta revista (comentários ao editor podem ser incluídos a seguir).