Entre o visível e o invisível: a colonialidade e o espaço narrativo em "O avesso da pele", de Jeferson Tenório

Autores

  • Isabela Sales Cardia PPGELi - UNESP, FCLAr

DOI:

https://doi.org/10.20873.261018

Resumo

As atuais obras literárias brasileiras têm sido responsáveis por exaltar vozes que foram, por muitos anos, subjugadas histórica e socialmente. Adotando uma maior diversidade de cores e gêneros, os romances contemporâneos ganham destaque no mercado editorial. Uma das vozes expoentes deste período é Jeferson Tenório, autor do romance O avesso da pele (2020), que denuncia a violência estrutural contra a população negra no país. A obra, que chegou a ser censurada em escolas no sul e centro-oeste por motivos injustificados, recupera a história de Henrique, professor de literatura que foi assassinado em uma abordagem policial inadequada. A narrativa é construída a partir do relato de Pedro, filho de Henrique, que compartilha detalhes íntimos da infância, adolescência e vida adulta do falecido pai, a fim de que essas lembranças auxiliem-no a lidar com seu luto. A partir da descrição dos sentimentos de Henrique, exibe-se o desconforto do personagem, sujeito negro e morador de uma região periférica de Porto Alegre, que ao adentrar zonas centrais da cidade, sente-se rejeitado e é constantemente repreendido pelas autoridades apenas por circular em tal local. Desse modo, o objetivo do presente trabalho é investigar como retrata-se a dicotomia centro/periferia no romance O avesso da pele (2020). Partindo de uma perspectiva pós-colonial e tendo como subsídios os trabalhos de Fanon (2008), Gonzalez (2012), Kilomba (2019) e Quijano (2009), pretende-se analisar como a representação de comportamentos e ações das personagens em diferentes ambientes narrativos é capaz de evidenciar a violência contra as pessoas negras na sociedade brasileira. 

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Publicado

2026-08-13

Como Citar

Sales Cardia, I. (2026). Entre o visível e o invisível: a colonialidade e o espaço narrativo em "O avesso da pele", de Jeferson Tenório. Porto Das Letras, 12(1), 399–415. https://doi.org/10.20873.261018

Edição

Seção

A Literatura como via de ressignificação do passado: diálogos entre o Pensamento Decolonial e os projetos estéticos/teóricos decoloniais