QUANDO A DOR HABITA O SILÊNCIO: A POESIA COMO TRADUÇÃO DO INDIZÍVEL

Autores

  • Dauana Pinheiro Leal dos Santos Universidade Federal da Bahia

DOI:

https://doi.org/10.20873.261024

Resumo

Neste artigo discute-se a potência da linguagem poética como mecanismo de tradução de experiências subjetivas de dor e silêncio de mulheres negras. Para tanto, toma-se como objeto de investigação os poemas Antigênesis, Canção, Do silêncio da obra Dia bonito pra chover (2024) da escritora Lívia Natália. Partindo dos conceitos de tradução intersemiótica, propostos por Júlio Plaza (2003), e da crítica decolonial realizada por Oyèrónke Oyêwùmí (2021) à tradução das culturas e a imposição de uma lógica visual e de gênero ocidental, analisa-se como a voz lírica presente nos poemas opera uma transposição do indizível, habitado pela dor, a espera, o desamor, para o plano verbal, criando um corpo textual que é, simultaneamente, ferida e cura. Argumenta-se que a poesia de Lívia Natália, ao incorporar elementos da oralidade e uma cosmopercepção afrodiaspórica, desestabiliza as fronteiras entre som e silêncio, palavra e carne, efetuando uma tradução sensível que resiste à generificação da experiência e ao mesmo tempo restaura a complexidade do sentir.

Palavras-chave: Poesia; Tradução Intersemiótica; Silêncio; Dor; Mulher Negra.

Referências

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Publicado

2026-08-13

Como Citar

Pinheiro Leal dos Santos, D. (2026). QUANDO A DOR HABITA O SILÊNCIO: A POESIA COMO TRADUÇÃO DO INDIZÍVEL . Porto Das Letras, 12(1), 518–530. https://doi.org/10.20873.261024

Edição

Seção

A Literatura como via de ressignificação do passado: diálogos entre o Pensamento Decolonial e os projetos estéticos/teóricos decoloniais