ATUAÇÃO DOS PSICÓLOGOS EM VARAS DE FAMÍLIA
O PAPEL DA ESTRATÉGIA DE MEDIAÇÃO NA PROTEÇÃO INFANTOJUVENIL
DOI:
https://doi.org/10.20873/vol13n3pibic202522Palavras-chave:
Psicologia Social Jurídica, Varas de Família, MediaçãoResumo
O presente trabalho teve como objetivo analisar a interface entre Psicologia e Direito, especialmente nas Varas de Família, com ênfase na mediação e na proteção dos direitos de crianças e adolescentes. Amparado por marcos legais como a Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente e legislações específicas sobre guarda e mediação, discute-se de que modo os saberes psicológicos se inserem na esfera judicial para promover estratégias que favoreçam o bem-estar infantil. Nesse contexto, a mediação familiar desponta como alternativa ao modelo adversarial tradicional do Judiciário, permitindo a transformação das disputas em espaços de diálogo, em que a escuta qualificada e a participação da criança assumem centralidade. A partir de um caráter exploratório-descritivo da experiência da Oficina de Divórcio e Parentalidade, programa interdisciplinar instituído pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e realizado pelo Tribunal de Justiça do Tocantins por meio do CEJUSC de Palmas - TO, a investigação possibilitou observar a mediação como conduta relevante de promoção de direitos, especialmente da infância e juventude, abrindo horizontes para investigações futuras sobre os efeitos subjetivos dessas práticas e reafirmando o papel da Psicologia como campo indispensável à democratização da Justiça. Os resultados indicam que tais iniciativas contribuem para a construção de acordos colaborativos, ampliam a autonomia das famílias e favorecem uma compreensão mais humanizada dos conflitos.
Referências
BRITO, Leila; AYRES, Lygia; AMENDOLA, Márcia. A escuta de crianças no sistema de justiça. Psicologia & Sociedade, v. 18, n. 3, p. 68-73, set./dez. 2006
CHAVES, Ayla Bianca Silva; SOARES, Laura Cristina Eiras Coelho; OLIVEIRA, Camilla Felix Barbosa de; CORRÊA, Fábio Henrique Albuquerque. Mediação familiar e psicologia: articulações teórico-práticas na realidade brasileira. Psicologia em Estudo, v. 27, e49866, 2022.
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA(BRASIL). Referências Técnicas para a Atuação de Psicólogas(os) em Varas de Família. Brasília: CFP, 2019. 112p.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 1999.
FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. Rio de Janeiro/São Paulo: Paz & Terra, 2019.
LUZ, R. R.; H. S. GONÇALVES. Psicologia, Direito e Depoimento Especial: uma proposta de leitura descolonial. In: SOARES, Laura Cristina Eiras Coelho et al. Psicologia social jurídica: articulações de práticas de ensino, pesquisa e extensão no Brasil. 1. ed. Florianópolis, SC: ABRAPSO Editora, 2022.
LAGO, V. M.; AMATO, P.; TEIXEIRA, P. A.; ROVINSKI, S. L. R.; BANDEIRA, D. R. Um breve histórico da psicologia jurídica no Brasil e seus campos de atuação. Estudos de Psicologia, v. 26, n. 4, p. 483-491, 2009.
LEMOS, Flávia Cristina Silveira et al. Operadores analíticos da pesquisa com arquivos em Michel Focault. Universidade Federal do Pará, Belém/PA, Brasil, 2020.
LOBO, L. F. A expansão dos poderes judiciários. Psicologia & Sociedade, 24(n. spe.), 25-30, 2012.
LUZ, R. R. Crianças vulneráveis ou vulnerabilizadas no Depoimento Especial? Uma discussão introdutória. Revista Estação Científica (FESJF), 1, 1-16, 2019.
MILHOMEM, Rute Milene da Cruz; MONTEIRO, Thaís Moura. Atuação de psicólogas(os) na Vara da Família: referências técnicas e práticas de intervenção. Cadernos de Graduação – Ciências Humanas e Sociais, v. 9, n. 3, p. 154-166, 2022.
NOGUEIRA, C. Análise(s) do Discurso: diferentes concepções na prática de pesquisa em Psicologia Social. Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, v. 24, n. 2, p. 235-242, 2008.
SAMPAIO, C. R. B. Psicologia e Direito: O que pode a psicologia? Trilhando caminhos para além da perícia psicológica. In Psicologia Jurídica e Direito de Família: para além da perícia psicológica /Munique Therense et al. Manaus: UEA Edições, p. 17-59, 2017.
SEGATO, R. Crítica da colonialidade em oito ensaios: e uma antropologia por demanda. Bazar do Tempo, 2021.
SOARES, Laura Cristina Eiras Coelho; MOREIRA, Lisandra Espíndula. (Org.). Psicologia Social na trama do(s) direito(s) e da justiça. 1. ed. Florianópolis: ABRAPSO Editora, 2020.
SOARES, Laura Cristina Eiras Coelho et al. Psicologia social jurídica: articulações de práticas de ensino, pesquisa e extensão no Brasil. 1. ed. Florianópolis, SC: ABRAPSO Editora, 2022.
TAVARES, Arivandre Araújo Guimarães. As atribuições e competências do psicólogo na Vara da Infância e Juventude de Palmas-TO. In: Reflexões sobre direito e sociedade: Fundamentos e Práticas. [S.l.]: Aya Editora, 2021.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Cibelly de Paula Alves Lima, Igor do Carmo

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
1. Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Creative Commons Attribution License (CC BY-NC 4.0), permitindo o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria do trabalho e publicação inicial nesta revista.
2. Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
3. Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto posterior ao processo editorial.
4. Além disso, o AUTOR é informado e consente com a revista que, portanto, seu artigo pode ser incorporado pela DESAFIOS em bases e sistemas de informação científica existentes (indexadores e bancos de dados atuais) ou a existir no futuro (indexadores e bancos de dados futuros), nas condições definidas por este último em todos os momentos, que envolverá, pelo menos, a possibilidade de que os titulares desses bancos de dados possam executar as seguintes ações sobre o artigo:
a. Reproduzir, transmitir e distribuir o artigo, no todo ou em parte sob qualquer forma ou meio de transmissão eletrônica existente ou desenvolvida no futuro, incluindo a transmissão eletrônica para fins de pesquisa, visualização e impressão;
b. Reproduzir e distribuir, no todo ou em parte, o artigo na impressão.
c. Capacidade de traduzir certas partes do artigo.
d. Extrair figuras, tabelas, ilustrações e outros objetos gráficos e capturar metadados, legendas e artigo relacionado para fins de pesquisa, visualização e impressão.
e. Transmissão, distribuição e reprodução por agentes ou autorizada pelos proprietários de distribuidoras de bases de dados.
f. A preparação de citações bibliográficas, sumários e índices e referências de captura relacionados de partes selecionadas do artigo.
g. Digitalizar e / ou armazenar imagens e texto de artigo eletrônico.
