A TRAGÉDIA GREGA E A EDUCAÇÃO ÉTICA DAS EMOÇÕES

  • Juliana Santana Universidade Federal do Tocantins

Resumo

Nesse artigo, analisaremos algumas teorias elaboradas a partir de Aristóteles a respeito da tragédia que, seja sob a forma de poema ou de espetáculo, pode ser entendida como um tipo de instrumento para a educação ética da emoção e como um fator imprescindível à educação do cidadão que pretende levar uma vida feliz na cidade. A possibilidade de ouvir e obedecer à razão que a emoção possui nos leva a procurar meios que o filósofo grego tenha concebido para que tal escuta e obediência aconteçam, como a educação, que tem a tragédia por aliada. Essa interpretação é feita a partir de leituras, como aquela do passo da Poética, no qual Aristóteles descreve a arte em questão e que nos permite considerá-la um desses auxiliares da educação ética. Tal consideração nos leva a questionar se é possível entendê-la como importante para a formação do caráter humano, especialmente no tocante às emoções. Buscaremos ressaltar o modo como a tragédia pode atuar na educação ética das emoções. Tentaremos destacar o papel imprescindível da literatura e do teatro gregos na educação do cidadão, conforme Aristóteles. Ademais, procuraremos traçar, sempre que conveniente, um paralelo entre a atuação da arte trágica grega antiga e sua influência nas emoções que atuam no caráter e a influência de certas artes que, na contemporaneidade, poderiam desempenhar esse mesmo trabalho, estendendo às artes de nossos tempos a tarefa de ajudar a educar para a vida em comum.

Biografia do Autor

Juliana Santana, Universidade Federal do Tocantins

Doutora em Ética e Política pela Universidade Federal de Santa Catarina, mestre em Estética e Filosofia da Arte pela Universidade Federal de Ouro Preto. Professora Adjunta do Colegiado de Filosofia da Universidade Federal do Tocantins.

Publicado
2018-12-20
Seção
Dossiê: Ancestralidades: algumas das raízes da arte e da educação