TEATRO POPULAR EM PORTO NACIONAL/TO

O legado do combate ao racismo na Amazônia Legal

  • Mariana Cunha Pereira Universidade Federal de Roraima
  • Noeci Carvalho Messias Universidade Federal do Tocantins

Resumo

Este ensaio traz algumas contribuições e discussões a respeito do teatro popular em Porto Nacional/TO, refletidas em uma prática social artística em favor da população negra que se junta a outras manifestações da cultura negra, em especial a capoeira. Esta reflexão carece de compreensão sobre o Teatro Experimental Negro (TEN), criado nos anos de 1940, por Abdias do Nascimento diante da referência que ele é para a história das manifestações populares negras, mas, principalmente, por inaugurar um tipo de movimento negro no Brasil. Para tanto, estabelecemos um diálogo com o Grupo de Consciência Negra do Tocantins (Gruconto) que, a partir dos anos de 1990, desenvolveu diversas estratégias, como peças teatrais, Sarau de Poesias e também uma articulação com a capoeira em prol da inclusão social do negro e da superação do racismo na sociedade nessas bandas do território da Amazônia legal. Esse encontro entre capoeira e teatro popular se concretizou por atividades culturais, levadas a cabo pelo capoeirista Mestre Timbal e o Artista José Iramar. Na perspectiva de compreender esse legado de combate ao racismo, recorremos a estudos acadêmicos e a discussões teóricas de Hasenbalg (1979), Domingues (2007), Nascimento (2004) e outros. Também para efeito metodológico de levantamento de dados, recorremos às lives “Bate Papo com os Mestres e Amigos da Cultura Tocantinense” (duas edições), que atualizam os dados sobre a capoeira do Mestre Timbal e sua importância para o Tocantins, bem como aquela que traz a história de José Iramar e a prática com o teatro popular negro em Porto Nacional. Ambas nos subsidiam significativamente, mostrando que essas experiências e vivências cênicas contribuíram bastante com a valorização da cultura afro-brasileira e o combate ao racismo no cenário tocantinense. Outra fonte importante foi o trabalho de Hortegal (2006), que, para nós, se tornou um fio a nos conduzir na tese que aqui defendemos, qual seja, a relevância do teatro popular negro como expressivo instrumento de luta e resistência do movimento negro do Tocantins.

Biografia do Autor

Mariana Cunha Pereira, Universidade Federal de Roraima

Doutora em Antropologia Social/CEPPAC-UnB e Mestra em Educação – Antropologia da Educação FE/UnB. Professora da Universidade Federal de Roraima /Programa de Mestrado em Antropologia e no PROFHISTÓRIA(UFRR).

Noeci Carvalho Messias, Universidade Federal do Tocantins

Doutora em História. Mestra em Gestão do Patrimônio Cultural (Área de Antropologia). Especialização em Cultura Afro-Brasileira. Graduação em História. Professora no Curso de Licenciatura em Teatro, na Universidade Federal do Tocantins (UFT).

Publicado
2021-03-22