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Condições para submissão

Como parte do processo de submissão, os autores são obrigados a verificar a conformidade da submissão em relação a todos os itens listados a seguir. As submissões que não estiverem de acordo com as normas serão devolvidas aos autores.
  • A contribuição é original e inédita, e não está sendo avaliada para publicação por outra revista; caso contrário, deve-se justificar em "Comentários ao Editor".
  • Os arquivos para submissão estão em formato Microsoft Word (.doc ou .docx).
  • URLs para as referências foram informadas quando necessário.
  • O texto está em espaço simples; usa uma fonte de 12-pontos; emprega itálico em vez de sublinhado (exceto em endereços URL); as figuras e tabelas estão inseridas no texto, não no final do documento, como anexos.
  • O texto segue os padrões de estilo e requisitos bibliográficos descritos em Diretrizes para Autores, na seção Sobre a Revista.
  • A identificação de autoria do trabalho foi removida do arquivo e da opção Propriedades no Word, garantindo desta forma o critério de sigilo da revista, caso submetido para avaliação por pares (ex.: artigos), conforme instruções disponíveis em Assegurando a Avaliação Cega por Pares.

Diretrizes para Autores

Instruções gerais para publicação na RELPE:
 
A Revista RELPE destina-se à publicação de trabalhos inéditos e originais na área da Educação, resultantes de pesquisas e estudos refletidos teoricamente. Compreendem-se por trabalhos os artigos decorrentes de pesquisas teóricas ou empíricas, as traduções de artigos ou entrevistas internacionais, ensaios, entrevistas com autores ou pesquisadores de significativa relevância e de resenhas. A Revista não aceita trabalhos encaminhados simultaneamente para outras revistas ou para livros. A Revista é semestral, sendo suas duas publicações tematizadas na forma de Artigos.
O processo de submissão e avaliação de artigos encaminhados à Revista é recebido através do Sistema Eletrônico de Editoração de Revista (SEER). A publicação de um artigo implica a cessão integral dos direitos autorais à RELPE – Revista Leituras em Pedagogia e Educação, para divulgação impressa e por meio eletrônico – internet. 
 
1. A Revista RELPE publica artigos originais e inéditos, referentes à área da Educação , considerando a linha editorial da Revista, tratamento dado ao tema, consistência e rigor. Os artigos deverão lhe ser destinados com exclusividade.
2. Serão considerados para publicação trabalhos que se enquadrem nas seguintes categorias: artigos de estudos teóricos e empíricos, pesquisas.
3. Os trabalhos deverão ser enviados ao Presidente da Comissão Editorial, via Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas (SEER), que os submeterá ao juízo do Conselho Editorial, para verificação de adequação à política editorial da revista e do cumprimento de exigências normativas. Os artigos serão encaminhados, sem identificação, a no mínimo dois avaliadores externos. No caso de discrepância avaliativa será enviado a um terceiro parecerista. O nome dos avaliadores será mantido em sigilo.
4. A Revista, através do editor, notificará o autor principal se o artigo foi aprovado para publicação ou rejeitado. A notificação será acompanhada de cópia do conteúdo dos pareceres, sem a identificação dos avaliadores.
5. Recomendações:  
Extensão: O texto deverá ter extensão mínima de 12 páginas e máxima de 20 páginas, com espaçamento de 1,5, incluídas as referências bibliográficas e notas. O título (no idioma original e em Inglês) devem conter no máximo 240 caracteres incluindo espaços.
 
Imagens: se o artigo contiver imagens fotográficas e/ou desenhos gráficos, esses deverão ser encaminhados em formato original (.jpeg, .png, .tiff) e em arquivos separados (não inseridos no interior do próprio texto), com resolução mínima de 300 dpi. No arquivo referente ao texto, deverá ser indicado através da inserção das legendas (no idioma do artigo e também em Inglês), o local aproximado onde devem ser inseridas as figuras, gráficos, tabelas e/ou quadros.
 
Citações: as citações no interior do texto devem obedecer às seguintes normas:
a.                                          Um autor: (Leipnitz, 1987).
b.                                         Dois autores: (Turner e Verhoogen, 1960).
c.                                          Três ou mais autores: (Amaral et al., 1966).
d.                                        Trabalhos com o(s) mesmo autor(es) e mesma data devem ser distinguidos por letras minúsculas logo após a data. Ex: (Amaral, 2008a) (Amaral, 2008b).
Apresentação das citações:
e.                                         Citações com menos de três linhas deverão ser incorporadas ao texto entre aspas.
f.                                          Citações com mais de três linhas deveram ser apresentadas em parágrafo isolado, com espaçamento simples entre as linhas, corpo de 11 pt e recuo de 4 cm da margem esquerda do texto.
Notas de rodapé: As notas de rodapé devem ser usadas de forma parcimoniosa. Somente são permitidas notas de rodapé explicativas e não são permitidas notas que contenham apenas referências. Estas deverão estar listadas, ao final do texto, no item 'Referências'.
·                   Não utilize as expressões op. Cit, id, idem.
·                   Não utilize a expressão apud, dê preferência pelo emprego da expressão in.
 
A matéria dos originais deverá conter, na seguinte ordem:
Título do texto: Título no idioma do artigo e em Inglês. Se o artigo for redigido em Inglês deve apresentar também o título em Português. Com no mínimo 150 e máximo 240 caracteres com espaço;
 
Resumos (após as Referências, no final do texto): no idioma do artigo e em inglês, em um único parágrafo, com até 20 linhas, acompanhado de três palavras-chave, contemplando os seguintes itens: objetivo, referencial teórico, metodologia e resultados do estudo. Atenção: Não colocar Referências no Resumo!. Nos casos em que o artigo é escrito em inglês, solicita-se também a apresentação de resumo e palavras-chave em português.
 
Texto completo do artigo: formatado em Times New Roman, 12 pt, espaçamento 1,5.
Referências: as referências bibliográficas e de outra natureza devem ser listadas ao final do texto, em ordem alfabética, em 12 pt, espaçamento simples, como nos modelos abaixo:
 
1. Artigos em periódico:
SOBRENOME, Inicial(is) do nome. Ano de publicação. Título do artigo. Título do periódico, volume(número/fascículo): pág inicial-pág final. 
Ex. DUNN, W.E. LANTOLF, J.P. 1998.Vygosty’s zone of proximal development and Krashen’s i+1: incommensurableconstructs. incommensurabletheories. Language Learning, 48(3):411-442.
 
2. Artigos relativos a eventos:
SOBRENOME, Inicial(is) do nome. Ano de publicação. Título do trabalho. In: Nome do Congresso (Encontro, Simpósio, etc.), nº, cidade, ano. Anais. Cidade, Sigla. volume:pág inicial-pág final. 
Ex. BIONDI, J.C. 1982. Kimberlitos. In. CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOLOGIA, 32, Salvador, 1982. Anais.Salvador, SBG, 2:452-464.
 
3. Artigos em coletânea:
SOBRENOME, Inicial(is) do nome. Ano de publicação. Título do artigo. In: Inicial(is) do nome. SOBRENOME (org.), Título da coletânea. Cidade, Editora, p. pág inicial-pág final. 
Ex: GRANDO, A. 2003. Os reality shows. In: V. HOEWELL (org.), Coletânea GT Produção de sentido nas mídias.Pernambuco, UNICAD, p. 75-81.
 
4. Livros:
SOBRENOME, Inicial(is) do nome. Ano de publicação. Título do livro. ed., Cidade, Editora, total de páginas p.
Ex: TURNER, F.J. WERHOOGEN, J. 1960. Igneous and MetamorphicPetrology. 20ª ed., New York, McGraw-Hill, 694 p.
 
5. Capítulos de livros:
SOBRENOME, Inicial(is) do nome. Ano de publicação. Título do capítulo. In: Inicial(is) do nome. SOBRENOME (ed.),Título do livro. Cidade, Editora, p. pág inicial-pág final. 
Ex: DONATO, R. 1994. Collectivescaffolding in secondlanguagelearning. In: J. LANTOLF; G. APPEL (eds.), Vygotskian Approaches to SecondLanguageResearch. Norwood, AblexPublishingCompany, p. 33-56.
 
6. Dissertações e Teses:
SOBRENOME, Inicial(is) do nome. Ano de publicação. Título da tese. Tipo de tese Mestrado em, Doutorado em. Universidade, SIGLA, Cidade, Sigla do Estado, total de folhas (xxx f). 
 
Ex:FRANCO, M. A. R. S. 2001. A Pedagogia como Ciência da Educação – entre práxis e epistemologia.  (Doutorado em Educação). Universidade de São Paulo, USP, São Paulo, SP, 251f .
 
7. Citações de Sites e textos eletrônicos:
Caso seja possível identificar os autores de textos eletrônicos, a referência deve ser feita do seguinte modo:
 
SOBRENOME, Inicial(is) do nome. Ano de publicação. Titulo do texto. Disponívelem: http://. Acessoem: dd/mm/aaaa. 
 
Ex: LENKER, A. RHODES, N. 2007.Foreign Language Immersion Programs: Features and Trends Over 35 Years. Disponível em: http://www.cal.org/resources/digest/flimmersion.html. Acesso em: 28/04/2007. 
 
* Neste caso, no corpo do texto, a referência é identificada por (Lenker e Rhodes, 2007). 
·                   Se não for possível identificar os autores de textos eletrônicos, deve-se fazer a referência do seguinte modo:
 
FONTE/SITE. Ano de publicação. Titulo do texto. Disponível em: http://. Acesso em: dd/mm/aaaa. 
 
Ex: GLOBO ONLINE, O. 2006. Brasil será o país com mais sedes do Instituto Cervantes. Disponível em: http://oglobo.globo.com/ cultura/mat/2006/10/25/286393283.asp. Acesso em: 05/04/2008. 
 
* No corpo do texto a citação será (O Globo Online, 2006).
 
8. Jornais e revistas, órgãos e instituições:
 ·                   Todos os textos de jornais e revistas devem constar nas referências bibliográficas. Caso haja autor explícito, a referência é feita pelo seu sobrenome:
 
SOBRENOME, Inicial(is) do nome. Ano de publicação. Titulo do texto. Fonte (Orgão, Instituição, etc.). Seção (Coluna, etc.). Cidade, dia mês (abreviado). 
 
Ex: MICELLI, S. 1987. Um intelectual do sentido. Folha de S. Paulo. Caderno Mais! São Paulo, 7 fev. 
 
* No corpo do texto, indica-se (Micelli, 1987). 
·                   Caso não haja um autor e o texto seja de responsabilidade do órgão, faz-se a referência assim:
 
Fonte (Orgão, Instituição, etc.). Ano de publicação. Titulo do texto. Cidade, dia mês (abreviado), p. número da página. 
 
Ex: CORREIO DO POVO. 1945. Os métodos objetivos de verificação que empregamos no RS. Porto Alegre, 5 out., p. 14. 
 
* No corpo do texto, indica-se (Correio do Povo, 1945).
 
 
 
 
Itens de Verificação para Submissão
Como parte do processo de submissão, os autores são obrigados a verificar a conformidade da submissão em relação a todos os itens listados a seguir. As submissões que não estiverem de acordo com as normas serão devolvidas aos autores.
1.A contribuição é original e inédita, e não está sendo avaliada para publicação por outra revista. 
2.A matéria dos originais deverá conter, na seguinte ordem: 
 
A)Título.
 
B)Texto completo do artigo, escrito em Times New Roman, 12 pt, com espaçamento de 1,5. Espaço entre os parágrafos (6pt) e espaçamento para início do parágrafo “Primeira Linha” 1,50 cm.
 
OBS: Figuras, tabelas, quadros e gráficos devem incluir legenda no idioma do artigo. As tabelas e ilustrações devem ser enviadas em seus arquivos originais (.jpeg, .png, .tiff) e em arquivos separados (não inseridos no interior do próprio texto), com resolução mínima de 300 dpi.
 
C)AO FINAL DO TEXTO, APÓS AS REFERÊNCIAS, RESUMO entre 10 e 20 linhas (ou 150 a 250 palavras com espaço) acompanhado de pelo menos três palavras-chave.
 
D)ABSTRACT e KEY WORDS em inglês: TÍTULO E RESUMO..
 
 A identificação de autoria do trabalho foi removida do arquivo, garantindo desta forma o critério de sigilo da revista, caso submetido para avaliação por pares (ex.: artigos), conforme instruções disponíveis em Assegurando a Avaliação Cega por Pares.
3.As citações de mais de 3 linhas devem ser digitadas em parágrafo isolado, com espaçamento simples entre as linhas, corpo de 11 pt e recuo de 4 cm da margem esquerda do texto. As citações de até três linhas devem integrar o corpo do texto e ser assinaladas entre aspas
4.O texto segue os padrões de estilo e requisitos bibliográficos descritos em Diretrizes para Autores, na seção Sobre a Revista. 
5.Os trabalhos enviados para RELPE devem estar de acordo com o modelo abaixo de referências bibliográfica.
 Referências 
 
São consideradas referências somente as obras mencionadas no interior do texto. 
 
As referências devem ser digitadas em fonte Times New Roman, em corpo 12 pt, com espaçamento simples entre as linhas e organizadas em ondem alfabética. 
 
As referências, no fim do trabalho, devem ter os dados completos e seguir as normas para trabalhos científicos que estão publicadas no site da revista. Cada referência deve ocupar um parágrafo e deve estar separada por um espaço simples.
 
 

Artigos

Até oito artigos por edição. 

Apresentação

Prof. Dr. Claudionor Renato da Silva (UFT/ CUA)

Organizador do Dossiê

 

 

DISCUTINDO INFÂNCIA E CRIANÇA NO NORTE DO BRASIL

 

A RELPE lança seu Dossiê n.º 1 ao mesmo tempo em que fecha o seu terceiro caderno de artigos, ininterruptamente, com previsão para indexação no Portal de Periódicos da UFT para o final de janeiro de 2017.

A ideia aqui, neste primeiro dossiê é o de reunir grupos de pesquisa que tenham como linha e/ou foco de pesquisa maior, a infância, a criança, a educação infantil.

Como docente do curso de Pedagogia e editor da RELPE é uma honra apresentar ao público leitor, interno e externo ao Campus de Arraias e da UFT, um conjunto de trabalhos que reuniu um grupo de pesquisadores da região norte do Brasil, convidados por mim, para compor uma primeira tentativa de formação de uma Rede de estudos e pesquisas no tema da infância e da criança. Não é representativo de toda a região norte, obviamente. Encontrei dificuldades em localizar grupos de pesquisa, alguns retornos de e-mail não ocorreram e a intensa atividade docente, mesmo aqui, internamente, no próprio colegiado, tornou inviável uma representação maior; e sei que temos muito mais pesquisadores e pesquisadoras da infância – criançólogos e criançólogas - tanto da UFT quanto nas demais universidades do norte; mesmo aqui, em meu próprio Campus, onde meus colegas têm produzido muitas pesquisas, projetos de extensão, Trabalhos de Conclusão de Curso, orientações e produções no PIBID, enfim, em que o tema da infância é recorrente e tem exigido de nós, docentes e pesquisadores(as) muita atenção aos referenciais, às metodologias e, sobretudo, no atual momento político e econômico do país, Na preocupação quanto ao futuro dos financiamentos e o temor de retrocessos de muitas conquistas já alcançadas pelo movimento social em favor da infância e da criança. Então, repito: os artigos deste dossiê é uma primeira tentativa de aproximação de grupos de pesquisa e produções sobre a infância e a criança e ainda não representa a totalidade da região norte do Brasil, nem do Câmpus de Arraias, nem da UFT em seus mais diversos Câmpus.

É importante destacar o papel do nosso curso de Pedagogia em Arraias, Tocantins, com a criação do curso de Especialização em Educação Infantil, iniciado em 2015/2016 promovendo formação continuada a professores da rede pública e egressos dos cursos de Pedagogia da UFT.

O curso já está com sua segunda turma para início em fevereiro de 2017 e tem como proposta a solidificação da linha de pesquisa em Educação Infantil para nosso tão sonhado futuro Mestrado em Educação no Câmpus de Arraias. Um dos próximos Dossiês contemplarão os artigos de Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização que estão sendo executados pela primeira turma no modelo de Projeto de Intervenção Local (PIL), em que temos primado pela localização de uma problemática, buscando soluções para esta, a partir da literatura acadêmica e da produção de conhecimento existentes.

Mas afinal, o que queremos discutir sobre infância e criança aqui no norte do Brasil? Que temas ficaram de fora deste Dossiê e que precisamos perseguir como focos de pesquisa, da graduação à pós-graduação?

Tenho a ousadia de afirmar que podemos ter uma produção de conhecimento com pesquisadores(as) do norte, falando sobre o norte; uma representação de infância e de criança que só tem aqui e em nenhum outro lugar. Algumas perguntas/questionamentos: o que pensam as crianças indígenas do norte? Qual, quais culturas infantis estão aí presentes? O que fazem as crianças quilombolas? Qual a cultura infantil negra do norte do Brasil? Qual o cultura negra amazônica? Em que se diferencia da criança acreana ou tocantinense? Nos espaços de fronteira, que papel o idioma ocupa na vida cotidiana das famílias e, portanto, das crianças e o que a escola faz sobre isto? E uma questão muito importante: e como se dão as relações étnicorraciais em estados do norte, por exemplo, como o Tocantins, de maioria negra e minoria branca? O que pensam as crianças brancas e como se sentem no dia a dia da escola da educação infantil? Qual o público da Educação Especial no norte brasileiro? Qual a preocupação com a formação de professores na perspectiva da Educação Especial?

Tão mais importante quanto isto, pergunto: temos escolas rurais ou escolas do campo no norte brasileiro? E como fica a realidade das salas multisseriadas diante das especificidades da educação infantil e o perfil dos professores e professoras, considerando as Diretrizes Curriculares Nacionais de 2009, ratificadas em 2013 pelo Ministério da Educação? Como vem acontecendo a alimentação, o transporte, a higiene, na educação infantil das escolas tanto urbanas quanto rurais do norte brasileiro? Qual aparato médico recebem os professores(as) que trabalham com as crianças pequenas no norte do Brasil, por exemplo, vacinas e processos/procedimentos de saúde pública junto às crianças?

E eu poderia enumerar mais uma dezena de perguntas e de investigações motivadoras, que são urgentes e necessárias aqui no norte do Brasil. Concordo com as prerrogativas dos órgãos de fomento de pesquisa que temos que ser mais gerais, mais amplos, diversificados, mas por outro lado, o específico e a especificidade tende a ficar diminuída neste cenário, de modo que, lançar um olhar mais detido sobre uma realidade mais específica, localizada, é um dever da universidade enquanto locus de transformação social. Por isto a especificidade sobre o norte do Brasil. Penso que podemos perseguir este foco.

Estas justificativas me ajudam a responder à segunda questão quanto ao que ficou de fora neste dossiê – embora pareça ter ficado claro nas questões/perguntas realizadas - não porque se resolveu fechar em alguns temas. Ao contrário. Como disse logo no início desta Apresentação faltou contatos, faltou o conhecimento sobre o que nossos colegas produzem sobre a infância e a criança da região norte do Brasil. Ficou de fora aqui as crianças indígenas, as crianças ribeirinhas, o (re)conhecimento, identidade e política voltadas às crianças negras e outras minorias (ou maiorias) étnicas; a formação de professores em licenciaturas interculturais, em licenciaturas para o campo; as relações de gênero e sexualidade; direitos humanos, sustentabilidade, enfim. Mas isto não impede de se reconhecer que o presente dossiê abre um espaço e uma oportunidade para que se pense nossa realidade e se busque identificar o que diferencia e o que é diferente no contexto do norte. E, de fato, aí está a riqueza e potencialidade.

Nossa primeira contribuição vem de Rondônia: o GEP (Grupo de Estudos Pedagógicos) da Universidade Federal, Campus de Rolim de Moura. Bianca e Luana apresentam um texto sobre as experiências infantis. Tem como ponto de partida, processo e chegada a ideia do distanciamento da “infância como etapa, como fase” e, portanto, apontando caminhos para uma conceituação de infância para o norte brasileiro como sendo aqueles das individualidades e das especificidades, ou seja, uma infância que as caracteriza e que elas revelam aos pesquisadores(as) e não o contrário: os pesquisadores seguem as crianças; as crianças deixam “rastros”, nas imagens por elas deixadas.

O Prof. Dr. Rubenílson, da UFT de Porto Nacional nos apresenta a infância junto a duas outras vertentes – pontas outras que formam um trança! - : a literatura e a mediação docente para formação de leitores. E que trança é esta? A trança tecida de uma educação emancipatória, que percorre a formação do indivíduo na coletividade e, portanto, na diversidade sexual que nos perpassa – e assim deve ser, desde a educação infantil – na construção de uma sociedade menos sexista e mais solidária; menos violenta e preconceituosa e mais atenta à diversidade, no sentido mais amplo possível e abrangente. Isto faz, Rubenílson, como poeta, também poetizando, em todo o texto, demonstrando perfeita sintonia com aquilo que é infantil: a abstração e a criatividade que traz leveza à vida.

Renata, Bianca e Fábio são da Universidade Federal de Rondônia. Apresentam um texto que relata a formação de professores(as) para a educação infantil, a partir do Seminário sobre a infância (SEMIN) originado em 2012 no Grupo de Estudos Pedagógicos, o GEP, Campus de Vilhena. É fundamental a concepção de infância construída ao longo destes anos com o SEMIN: a infância diversa, imprevista, inesperada que lança ao professor(a) e ao pesquisador(a) a tarefa de “se experimentar” e também de “se colocar em um outro espaço, em um espaço de estranhamento, em um espaço estrangeiro”. Na concepção de infância que propõem, colocam o(a) docente como aquele que precisa de “reinventar” e se “aventurar” com o propósito de cegar-se ao homogêneo e passar a perceber a diferença, o diferente, as especificidades, ou seja, ver o que nunca conseguiu ver ou o que nunca se quis ver.

Viviane Drumond, da UFT Miracema, com a proposta de se pensar os futuros professores ou os professores em formação traz o destaque dos estágios na educação infantil, como etapa da formação nos cursos de Pedagogia. Esta análise é fundamental, no sentido em que, partindo de uma concepção de infância que dê à ela voz e vez, permite ao profissional em formação evitar alguns erros de profissionalidade futura, como o “controle” da criança. Possuir e adquirir no Estágio Supervisionado concepções não regulamentadoras clássicas implica na especificidade de identificar e compreender “as relações entre os sujeitos: adulto-adulto, adulto-criança e criança-criança, que conferem sentido à existência das instituições educativas”. E o que é isto senão uma proposta do que Viviane Drumond chama de Pedagogia da Infância?

Vanderlete e Ivanilde, em seu primeiro texto neste Dossiê, falam do Direito à creche, trazendo para nós uma reflexão que nos permite pensar uma concepção de infância pelo crivo do Direito, do Direito das Crianças, e não o lado econômico que permeia a posição do gestor público, seja ele o Secretário da Educação ou diretor escolar. Penso que a voz das mães também traduzem uma concepção de infância que precisa ser apreendida pela educação escolar. O segundo artigo que o grupo de pesquisa das autoras trazem ao dossiê discute um tema de suma importância: os bebês das camadas mais pobres atendidos nas escolas de educação infantil. Sem dúvida, a fundamentação histórica é imprescindível para a compreensão do presente, mas não só para “ficar sabendo”, mas para alterar o estacionário, o cômodo, o estabelecido. O encontro do histórico, do que era, e as perspectivas atuais advindas dos documentos oficiais do Ministério da Educação para a educação infantil são os materiais sobre os quais a gestão e o professorado precisam se debruçar para que sejam estabelecidas a justa qualidade educacional que os bebês das camadas mais pobres do Amazonas merecem, tanto eles, quanto seus pais e responsáveis.

Sobre as “Práticas Pedagógicas de Educação em Ciências na Educação Infantil”, Mônica e Lucinete da Universidade do Estado do Amazonas discutem um tema fundamental no norte do Brasil que é a sustentabilidade. Trabalhar esta temática desde a educação infantil e junto disto a concepção de infância que se busca construir, sobretudo sobre a escassez da natureza e o futuro das gerações, convocam professores e gestores quanto ao seu papel na educação escolar. Como demonstram as autores, conhecimentos científicos em ciências são o desafio a ser construído com os(as) docentes na tentativa de não serem negados às crianças saberes, desde a educação infantil, que unam a sustentabilidade e a educação como fatores indissociáveis e não fragmentários como se vê e a própria pesquisa demonstrou. Segundo as autoras: “Entendemos que para a proposição de experiências formativas às crianças com as ciências, o docente de educação infantil precisa estar munido de subsídios teóricos numa relação recíproca com sua prática pedagógica”.

Finalmente, o último artigo que fecha o Dossiê é uma contribuição pessoal a partir do GEPGSEX, grupo de pesquisa que lidero aqui na UFT Arraias em que temos uma linha sobre Infância e Criança para discussões de pesquisa e geração de teorizações pelo método da Grounded Theory. Proponho frentes de pesquisa ou um programa de pesquisa com bebês e crianças pequenas. Espero ter colaborado com este texto motivando pesquisas aqui no norte do Brasil, assim como temos feito no estado do Tocantins e nordeste goiano.

Nosso próximo desafio é a organização de um evento em Rede na temática da infância, reunindo universidades do norte do Brasil, na tentativa de iniciação de intercâmbios de pesquisa e produção de conhecimentos teóricos e de experienciações, ao lado de interesses nas políticas públicas para a infância e a criança no norte do Brasil.

Quero agradecer aos contatos efetivados com as(os) colegas de Rondônia e Amazonas; conto com vosso apoio para difundirmos a ideia da Rede e agregarmos outras universidades do norte, pública e privada. Temos, com certeza, potencial e muita capacidade para isto, contudo, precisamos “trans-murar” a universidade do norte do Brasil e nos aventurarmos em pesquisas de parceria que se aproximem de cada bebê, de cada criança, de cada família, de cada professor(a), de cada gestor(a) público(a) de modo a garantir, dentro do atual quadro que se desenha, de teto/corte dos gastos públicos, no sentido de manter e superar a qualidade do atendimento da criança na escola da educação infantil que necessariamente passa pela categoria de investigação “infância” e “criança”.

Boa leitura.

A RELPE aguarda vossas críticas e sugestões ao dossiê. Aguarda também contatos das demais universidades para organização de um primeiro evento em Rede, para 2017 ou 2018, prosseguindo a discussão sobre infância e criança no norte brasileiro.

Sumário

RASTROS DA INFÂNCIA: MOVIMENTO INFINITO DE COMPOSIÇÃO

 

BIANCA SANTOS CHISTÉ

LUANA PRISCILA DE OLIVEIRA

 

7-22

CONCEPÇÕES DE INFÂNCIA, LITERATURA E AS MEDIAÇÕES DE FORMAÇÃO DE LEITORES: TRÊS PONTAS DA TRANÇA TECIDA PARA UMA EDUCAÇÃO EMANCIPADORA NA CONTEMPORANEIDADE

 

RUBENÍLSON PEREIRA DE ARAÚJO

 

23-41

FORMAÇÃO DE PROFESSORES(AS) PARA A INFÂNCIA NA AMAZÔNIA: AS EXPERIÊNCIAS DO SEMINÁRIO SOBRE A INFÂNCIA – SEMIN

 

RENATA APARECIDA CARBONE MIZUSAKI

BIANCA SANTOS CHISTÉ

FÁBIO SANTOS DE ANDRADE

 

42-51

FORMAÇÃO DE PROFESSORES(AS) DE EDUCAÇÃO INFANTIL: O ESTÁGIO NO CURSO DE PEDAGOGIA

 

VIVIANE DRUMOND

 

52-69

O DIREITO À CRECHE NA CIDADE DE MANAUS: A VOZ DAS MÃES DE CRIANÇAS PEQUENAS

 

VANDERLETE PEREIRA DA SILVA

IVANILDE DOS SANTOS MAFRA

 

70-85

PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DE EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

 

MONICA SILVA AIKAWA

LUCINETE GADELHA DA COSTA

 

86-100

A EDUCAÇÃO DE CRIANÇAS POBRES DE 0 A 3 ANOS NO AMAZONAS

 

 

IVANILDE DOS SANTOS MAFRA

VANDERLETE PEREIRA DA SILVA

 

101-118

ESTUDOS COM BEBÊS EM QUATRO FRENTES: PROPOSTAS DE PESQUISA PARA O NORTE DO BRASIL

 

CLAUDIONOR RENATO DA SILVA

119-138

Política de Privacidade

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