Dicionários Filosóficos e Glossários em Filosofia: Artefatos Culturais Filosóficos e Instrumentos de Saturação da Referência

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20873.239204

Resumo

Este artigo celebra as ideias de Sylvain Auroux estressando seu viés filosófico. O texto aproxima por diferentes vias, a Filosofia da Linguagem da História das Ideias Linguísticas (também HIL), perturbando suas margens tranquilas e borrando seus limites assinaláveis. Como questão central, o texto discute dois possíveis interesses de investigação pra HIL, apreendidos pelo seu caráter de instrumento linguístico e de artefato cultural filosófico. Os objetos de reflexão propostos são os dicionários filosóficos e os glossários integrantes de obras filosóficas. Ao engajá-los, a tessitura descreve dois deslocamentos: um conceitual e um epistêmico. Em relação ao campo dos conceitos, se propõe pensar a produtividade do termo artefatos culturais filosóficos, como análogo e concorrente dos termos instrumentos linguísticos. Referente ao conhecimento epistêmico, a proposta é deslocar a HIL em direção à filosofia. Entre as conclusões, pode-se ressaltar a caracterização dos dicionários filosóficos e os glossários que compõem textos filosóficos como instrumentos de saturação referencial e de estabilização conceitual.

Referências

ALTHUSSER, L. A corrente subterrânea do materialismo do encontro (1982). Crítica Marxista, São Paulo, Ed. Revan, v.1, n.20, 2005, p.9-48. Tradução de Mônica Zoppi-Fontana.

ALTHUSSER, L. O futuro dura muito tempo, São Paulo, Companhia das Letras, 1992. Tradução de Rosa Freire d’Aguiar.

ALTHUSSER, L. Portrait du philosophe matérialiste. In: MATHERON, F. (comp.). Écrits philosophiques et politiques. Paris: Stock/Imec, 1994. p. 581-582. (Vol. I)

AQUINO, J. E. Gramática: instrumento técnico/ferramenta político-histórica. In: MEDEIROS, V.; ESTEVES, P. M. S. et al. (Org.). Almanaque de Fragmentos: ecos do século XIX. Campinas: Pontes, 2020, p. 117-122.

AUROUX, S. A revolução tecnológica da gramatização. Campinas: Editora da Unicamp, 1992. Tradução de Eni Orlandi.

AUROUX, S. Filosofia da linguagem. São Paulo, Parábola: 2009. Tradução de Marcos Marcionilo.

BARBERO, G. “Credo sit Papias integer”: la ricezione del Liber glossarum in Italia presso gli Umanisti. Dossiers d’HEL. Le Liber glossarum (s. VII-VIII): Composition, sources, réception, 10, pp.321-356, 2016.

CABRERA, J. Margens das filosofias da linguagem: conflitos e aproximações entre Brasilia: Editora Universidade de Brasilia, 2009[2003].

COLOMBAT, B.; FOURNIER, J. M.; PUECH, C. Uma história das ideias linguísticas. São Paulo: Contexto, 2017[2010]. Tradução de Jacqueline Léon e Marli Quadros Leite.

COSTA, T. de A. da. Alguns apontamentos para uma história da HIL na França e no Brasil. Línguas e Instrumentos Línguísticos, Campinas, SP, n. 44, p. 9–34, 2019.

ESTEVES, P. M. S. Desejo de enciclopédia: o saber total. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional: 2023.

DE SANTANA, C. A. O Dicionário Filosófico de Voltaire: arma em favor da educação. Revista Tempos e Espaços em Educação, v. 2, n. 3, 5 mar. 2022.

DIAS, C. P. C.; COSTA, G. C.; BARBAI, M. A. (Org) Artefatos de Leitura. Campinas: LABEURB/NUDECRI/Unicamp, 2020.

FERREIRA, A. C. F. Ler, (d)escrever e interpretar os artefatos. In: DIAS, C. P. C.; COSTA, G. C.; BARBAI, M. A. (Org) Artefatos de Leitura. Campinas: LABEURB/NUDECRI/Unicamp, 2020.

FOUCAULT, M. Ordem do Discurso. São Paulo: Edições Loyola, 2014[1971].

GADET PÊCHEUX, M., GADET, F. A língua inatingível: o discurso na história da Linguística. Campinas: Pontes, 2004, Tradução B. Mariani e M.E. Chaves de Mello.

GOETZ, G. Der Liber glossarum, Leipzig: S. Hirzel, 1893

HACKING, I. Por que a linguagem interessa à filosofia? São Paulo: Editora Unesp/ Cambridge University Press, 1999.

HEIDEGGER, M. O que é isto – a filosofia? Petrópolis: Vozes, 2018[1956]. Tradução de Ernildo Stein.

LEMOS, C. A. C. O que é patrimônio histórico? 5. ed. São Paulo: Brasiliense, 1987.

LESSA, R. O experimento Bayle: forma filosófica, ceticismo, crença e configuração do mundo humano. Kriterion, Belo Horizonte, nº 120, Dez./2009, p. 461-475.

MARTINS, H. Três caminhos na filosofia da linguagem. In: MUSSALIM, F.; BENTES, A. C. Introdução à linguística: fundamentos epistemológicos. Vol 3. São Paulo: Cortez, 1999.

MEDEIROS, V. Glossários. In: MEDEIROS, V.; ESTEVES, P. M. S. et al. (Org.). Almanaque de Fragmentos: ecos do século XIX. Campinas: Pontes, 2020, p. 09-20

MILLER, T. O. Considerações sobre a tecnologia: quando é um artefato? / Considerations on technology: when is an artifact?. Vivência: Revista de Antropologia, v. 1, n. 39, p. 91–100, 2012.

MILNER, J. C. O amor da língua. Campinas: Editora da Unicamp, 2012. Tradução de Paulo S. de Souza Jr.

NUNES, J. H. Dicionários no Brasil: análise e história. Campinas: Pontes/FAPESP/PAPERP. 2006.

NUNES J. H. Uma articulação da análise do discurso com a história das ideias linguísticas. Letras, Santa Maria, v. 18, n. 2, p. 107–124, jul./dez. 2008

NUNES, J. H. Dicionários: história, leitura e produção. In: Revista de Letras (Taguatinga), v. 3. Brasília, UCB, 2010.

NUNES, J. H. Artefato e equívoco: discurso artístico e espaço público. In: DIAS, C. P. C.; COSTA, G. C.; BARBAI, M. A. (Org) Artefatos de Leitura. Campinas: LABEURB/NUDECRI/Unicamp, 2020.

OLIVEIRA, A. R. Dictionnaire historique et critique. ELEUTHERÍA (Ελευθερία) Campo Grande, MS. v. 4, n. 6, p. 150-176 junho/2019.

ORLANDI, E. P. O que é linguística? São Paulo: Brasiliense, 1986.

ORLANDI, E. P. (org). História das idéias linguísticas: construção do saber metalinguístico e a constituição da língua nacional. Campinas, SP: Pontes e Cáceres, MT: Unemat Editora, 2001.

ORLANDI, E. P. Língua e conhecimento linguístico: para uma história das ideias no Brasil. São Paulo: Cortez, 2002.

ORLANDI, E. P. Ler a cidade: o arquivo e a memória. In: ORLANDI, Eni P. (Org.), Para uma enciclopédia da cidade. Campinas, SP: Pontes Editores, 2003.

ORLANDI, E. P. Artefato, Metaforização e Ciências Humanas DIAS, C. P. C.; COSTA, G. C.; BARBAI, M. A. (Org) Artefatos de Leitura. Campinas: LABEURB/NUDECRI/Unicamp, 2020.

PORCHAT PERREIRA, O. Vida comum e ceticismo. São Paulo: Brasiliense, 1994.

RUSSELL, B. Logic and Knowledge. 5. ed. New York: The Macmilliam Company, 1971.

SPINOZA, B. Ética. Belo Horizonte: Ed. Autêntica, 2009 [1677]. Tradução de Tomaz Tadeu.

SMITH, P. J. Bayle e os impasses da razão. Kriterion. Belo Horizonte, nº 120/Dez, p. 377-390, 2009.

SOUSA, M. J. S. Etnografia da produçaõ de artefatos e artesanatos. UAKARI, v.5, n.1, p. 21-37, jun. 2009.

STRECK, D. R.; REDIN, E.; ZITKOSKI, J. J. (Orgs.). Dicionário Paulo Freire. 2. ed. rev. e ampl. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2010.

VELTHEM, L. H. V. A Pele de Tuluperê: uma etnografia dos trançados Wayna. Belém: MPEG, 1998.

VOLTAIRE. Dicionário filosófico. São Paulo: Lafonte, 2018. Tradução de Ciro Mioranza e Antonio Geraldo da Silva.

WITTGENSTEIN, L. Investigações filosóficas. São Paulo: Fósforo, 2022[1953]. Tradução de Giovani Rodrigues e Tiago Tranjan.

ZOPPI-FONTANA, M. G.; DINIZ, L. “Declinando a língua pelas injunções do mercado: institucionalização do português língua estrangeira (PLE)”. In: Estudos Lingüísticos, São Paulo, 37 (3), p.89-119, 2018.

Downloads

Publicado

2023-11-20

Como Citar

Matheus Bonfante, G. (2023). Dicionários Filosóficos e Glossários em Filosofia: Artefatos Culturais Filosóficos e Instrumentos de Saturação da Referência. Porto Das Letras, 9(2), 106–127. https://doi.org/10.20873.239204

Edição

Seção

Instrumentos Linguísticos