TENSÕES ENTRE O REGISTRO E A ENCENAÇÃO: a imagem de Aylan Kurdi e sua constituição em totem

Palavras-chave: Imagem, fotojornalismo, midiatização, circulação

Resumo

As imagens há muito são consideradas formas de poder, no entanto, no cenário da midiatização, adquirem cada vez mais capilaridade quando produzidas para acionar a circulação, não apenas por instituições jornalísticas, mas principalmente por atores sociais midiatizados que se valem de seus dispositivos para cogerir os acontecimentos. Deste modo, adota-se como ponto de partida neste artigo a hipótese de que a circulação se constitui em um processo de valorização (ROSA, 2016), realizado tanto por instâncias de produção como de reconhecimento. Esta valorização implica em uma circularidade da imagem primeira, potencializando novos circuitos interacionais. Tendo o caso das fotografias de Aylan Kurdi como objeto empírico, questiona-se: como a imagem se consolida em totem a partir de sua inscrição na circulação? Há uma força espectral nas imagens que resultam em sua permanência? Para tentarmos responder a estas perguntas acionamos aqui, os conceitos de fagia social e midiática (ROSA, 2016), autorreferencialidade (BAITELLO JR, 2005), além dos aportes específicos da midiatização com Verón, Fausto Neto, Braga e Ferreira dentre outros.

 

 

 

 

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Biografia do Autor

Ana Paula da Rosa, Unisinos/ Programa de Pós Graduação em Ciências da Comunicação

Jornalista, mestre em Comunicação e Linguagens pela Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). Atualmente atua como docente e pesquisadora do PPG em Ciências da Comunicação da Unisinos na linha de Midiatização e Processos Sociais. E-mail: anarosa208@yahoo.com.br.

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Publicado
2017-03-30
Como Citar
DA ROSA, A. P. TENSÕES ENTRE O REGISTRO E A ENCENAÇÃO: a imagem de Aylan Kurdi e sua constituição em totem. Revista Observatório, v. 3, n. 1, p. 327-351, 30 mar. 2017.
Seção
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